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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce191370
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CNJ
Ano
2024
Nível
Superior
    O senso comum é acumulado ao longo da vida de cada um de nós e acaba sendo transmitido de geração em geração. É um tipo de conhecimento não científico, formado pelas nossas impressões subjetivas sobre o mundo, fruto das nossas experiências pessoais. 

    Embora esse seja um tipo de conhecimento popular e prático que nos orienta no dia a dia, por não ser testado, verificado ou analisado por uma metodologia científica, permanece um alto grau de incerteza sobre a sua validade, ou seja, é um conhecimento tradicionalmente bem aceito, que pode ou não estar correto ou em consonância com a realidade. Trata-se, contudo, apenas de um mito, assim como muitos outros ensinados e perpetuados pela força da tradição e da crença, tal qual afirma Tolstói em sua obra Uma confissão: “Sei que a maior parte dos homens raramente são capazes de aceitar as verdades mais simples e óbvias se essas os obrigarem a admitir a falsidade das conclusões que eles, orgulhosamente, ensinaram aos outros, e que teceram, fio por fio, trançando-as no tecido da própria vida.”.

    É claro que a maioria das pessoas reconhece também que a ciência é importante e necessária, mas, ainda assim, temos dificuldade em abrir mão das nossas crenças e do nosso senso comum, mesmo quando necessário. Tendemos a nos manter fiéis àquilo que “testemunhamos com nossos próprios olhos”.

    Confiar nos “nossos olhos” — na nossa percepção pessoal — é um processo natural e compreensível, uma vez que essa é a ferramenta com que somos equipados “de fábrica” e que nos ajudou a sobreviver até aqui ao longo da nossa evolução. 

André Demambre Bacchi. Afinal, o que é ciência: ... E o que não é? São Paulo: Editora Contexto, 2024, p. 10-11 (com adaptações). 
Julgue o item subsequente, referente às características textuais e aos aspectos linguísticos do texto precedente, bem como às ideias nele veiculadas.No texto, a citação do trecho da obra de Tolstói tem o papel textual de confirmar, reforçar, como argumento de autoridade, a afirmação anterior acerca do senso comum, sendo uma forma de intertextualidade explícita.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Citação de Tolstói como argumento de autoridade e intertextualidade explícita

Gabarito: ✅ CERTO. A citação do trecho de Tolstói tem exatamente o papel descrito: confirmar e reforçar, como argumento de autoridade, a afirmação anterior sobre o senso comum, caracterizando intertextualidade explícita. O próprio texto introduz a citação com "tal qual afirma Tolstói", evidenciando a autoridade e a referência direta.

O texto, após definir o senso comum como "apenas um mito, assim como muitos outros ensinados e perpetuados pela força da tradição e da crença", acrescenta:

"tal qual afirma Tolstói em sua obra Uma confissão: ‘Sei que a maior parte dos homens raramente são capazes de aceitar as verdades mais simples e óbvias se essas os obrigarem a admitir a falsidade das conclusões que eles, orgulhosamente, ensinaram aos outros, e que teceram, fio por fio, trançando-as no tecido da própria vida.’"

A expressão "tal qual afirma" já mostra que o autor recorre a Tolstói para sustentar a ideia anterior, funcionando como um argumento de autoridade (citação de uma figura reconhecida). Além disso, a menção explícita do autor e da obra configura intertextualidade explícita, pois há uma referência direta e identificável a outro texto.

SE LIGUE NESSA!

O item descreve exatamente a função da citação no texto, sem nenhum desvio ou extrapolação. A banca apenas cobra a compreensão do papel textual da citação, que está clara no trecho.

Portanto, a afirmativa está correta.

Gabarito: ✅ CERTO.

NÃO CAIA NESSA!

Nenhuma. O item é uma assertiva direta sobre a função da citação, e o texto a confirma sem ambiguidades. A banca não armou uma pegadinha específica — apenas testa se o candidato percebe o uso do argumento de autoridade e da intertextualidade explícita.

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