Questão de Atualidades — Economia na Atualidade — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce191521
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CTI
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). A afirmação está incorreta porque o progresso material e o crescimento econômico contemporâneo não têm sido acompanhados de redução acentuada das desigualdades — nem entre países do Sul global, nem no interior das sociedades. Pelo contrário, o cenário atual é marcado por desigualdades persistentes e, em muitos casos, crescentes, tanto no plano internacional quanto no doméstico.
O enunciado parte de uma premissa otimista que não se sustenta nos dados e nas análises sobre o mundo contemporâneo. O crescimento econômico, especialmente o registrado nas últimas décadas, concentrou-se em determinadas regiões e grupos, aprofundando disparidades. No plano internacional, embora alguns países emergentes — como China e Índia — tenham reduzido a pobreza absoluta e ampliado sua participação na economia global, a distância entre os países mais ricos e os mais pobres permanece enorme. O Sul global, em sua maioria, continua enfrentando desafios estruturais como dependência de commodities, endividamento externo, fragilidade institucional e acesso desigual a tecnologia e capital.
No interior das sociedades, o quadro é igualmente problemático. Relatórios de organismos internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam que a concentração de renda e riqueza aumentou em diversas partes do mundo, inclusive em países de renda alta. A pandemia de covid-19 agravou esse cenário, ampliando a desigualdade de renda e de oportunidades. Portanto, a ideia de que o progresso material reduziu "acentuadamente" as desigualdades é uma generalização indevida e contrária à realidade observada.
A banca explora aqui uma armadilha clássica: apresentar uma visão otimista e simplista do desenvolvimento, como se o crescimento econômico automaticamente se traduzisse em distribuição de renda e redução de desigualdades. Na prática, o crescimento pode ocorrer sem que haja melhoria na distribuição — e, em muitos casos, pode até concentrar ainda mais a renda. O candidato que aceita a premissa sem questioná-la tende a marcar "Certo", mas a leitura crítica da atualidade aponta para o contrário.
A banca inverte a realidade: afirma que o progresso material reduziu "acentuadamente" as desigualdades, quando o consenso entre especialistas e organismos internacionais é o oposto — as desigualdades persistem e, em vários contextos, aumentaram. Não confunda crescimento econômico com distribuição de renda: são fenômenos distintos. O crescimento pode até gerar riqueza, mas sem políticas redistributivas ele tende a concentrar renda, não a reduzi-la.
Em questões de atualidades sobre desigualdade, desconfie de afirmações categóricas com termos como "acentuadamente", "significativamente" ou "sempre". A realidade é complexa e marcada por contradições. Lembre-se de que o crescimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento humano ou de redução de desigualdades — essa distinção é essencial para acertar esse tipo de item.
✅ ERRADO. A afirmação está incorreta, pois o progresso material não tem gerado redução acentuada das desigualdades entre países e no interior das sociedades; ao contrário, as desigualdades persistem e, em muitos casos, se aprofundam.
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