Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2024
Português›Sintaxe
Código
ce191860
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ITAIPU BINACIONAL
Ano
2024
Nível
Superior
Texto CB2A1
A força das renováveis
Um dos maiores parques eólicos da América do Sul começou a operar em junho de 2021 em pleno sertão piauiense. Situado 500 quilômetros (km) ao sul da capital Teresina, o complexo Lagoa dos Ventos é formado por 230 aerogeradores, responsáveis por converter a força dos ventos em eletricidade, instalados no alto de torres de 118 m de altura. O empreendimento, fruto de um investimento de R$ 3 bilhões de uma empresa italiana, vai gerar 3,3 terawatts-hora (TWh) de energia por ano, volume suficiente para abastecer 1,6 milhão de residências. A energia limpa e renovável gerada no local evitará a emissão de mais de 1,9 milhão de toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, quando comparado a uma usina termelétrica, segundo a companhia. Uma expansão em curso, ainda sem data para entrar em operação, elevará a atual capacidade de geração para 5 TWh por ano.
Ao ser inaugurado, o complexo eólico piauiense somou-se a outras 750 centrais similares em operação no país, 90% delas localizadas na região Nordeste. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (AbEEólica), essa infraestrutura, composta por 8,8 mil geradores, produziu no ano passado energia para atender a demanda de 28,8 milhões de moradias, o equivalente a 86,4 milhões de pessoas. Desde 2019, a fonte eólica é a segunda da matriz elétrica nacional e a que mais tem se expandido. Com 20 gigawatts (GW) de potência instalada operacional, é superada pela energia hidráulica, com cerca de 103 GW.
O Brasil foi o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo no ano passado, segundo a presidente-executiva da AbEEólica. Em 2020, foram inaugurados 66 novos parques e em 2021, até novembro, outros 54 entraram em operação. “Fomos responsáveis por 43% da nova capacidade instalada adicionada à matriz brasileira e já somos o sétimo país no ranking mundial de geração eólica.” O potencial de geração no país é estimado em cerca de 500 GW, quantidade suficiente para atender o triplo da demanda atual de energia dos brasileiros. O número é três vezes superior ao do atual parque nacional de energia elétrica, incluindo todas as fontes disponíveis (hidrelétrica, solar, biomassa, gás natural, óleo diesel, carvão mineral e nuclear).
Embora seja uma energia limpa e renovável, a eólica causa impactos ambientais e sociais: altera a paisagem onde é instalada, as turbinas geram ruído, provocando desconforto nas comunidades vizinhas, e suas pás colocam em risco pássaros e morcegos que vivem no local. Os desafios tecnológicos a serem enfrentados dizem respeito à intermitência da geração e à dificuldade de estocar a energia gerada nos parques.
Yuri Vasconcelos. Revista Pesquisa FAPESP. Edição 310, dez./2021.
Assinale a opção que apresenta proposta de reescrita para o trecho “O Brasil foi o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo no ano passado”, do texto CB2A1, que mantém seu sentido original bem como sua correção gramatical.
AO Brasil foi, no ano passado o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo
BO Brasil foi o terceiro país que, no ano passado, mais instalou energia eólica no mundo
CNo ano passado o Brasil, foi o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo
DNo ano passado o Brasil foi o terceiro país, que mais instalou energia eólica no mundo
EO Brasil no ano passado, foi o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O Brasil foi o terceiro país que, no ano passado, mais instalou energia eólica no mundo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita e pontuação – Sentido original e correção gramatical
Gabarito: letra B. A única reescrita que preserva o sentido original e a correção gramatical é a que insere o adjunto adverbial "no ano passado" entre vírgulas dentro da oração adjetiva restritiva, mantendo a estrutura de definição do sujeito.
Trecho original: "O Brasil foi o terceiro país que mais instalou energia eólica no mundo no ano passado"
A oração "que mais instalou energia eólica no mundo" é restritiva: delimita qual foi o terceiro país (o que mais instalou). O adjunto "no ano passado" modifica o verbo "instalou". A reescrita correta deve conservar esse caráter restritivo e a integridade sintática.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O autor coloca uma vírgula após "foi", separando o verbo do predicativo, e não isola o adjunto adverbial. A frase fica agramatical: "O Brasil foi, no ano passado o terceiro país..." — a falta de vírgula após "ano passado" junta o adjunto ao termo seguinte, quebrando a leitura. Erro: gramatical (sintaxe inadequada).
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O adjunto "no ano passado" é corretamente inserido entre vírgulas dentro da oração relativa: "que, no ano passado, mais instalou...". A oração continua restritiva (sem vírgula antes de "que") e o sentido é idêntico: Brasil foi o terceiro país que, no ano passado, mais instalou energia eólica. Correta e fiel ao original.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"No ano passado o Brasil, foi o terceiro país..." – a vírgula após "Brasil" separa o sujeito do verbo sem necessidade, criando uma pausa indevida que torna a frase agramatical. O adjunto adverbial no início da frase não exige vírgula após o sujeito. Erro: gramatical (vírgula separando sujeito e verbo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"No ano passado o Brasil foi o terceiro país, que mais instalou energia eólica no mundo" – a vírgula antes de "que" transforma a oração adjetiva em explicativa (não restritiva). No original, o "que" define qual terceiro país; aqui, a oração acrescenta uma informação acessória, alterando o sentido: o texto passaria a dizer que o Brasil foi o terceiro país (e esse país, por acaso, mais instalou energia eólica). Erro: alteração de sentido (restritiva → explicativa).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"O Brasil no ano passado, foi o terceiro país..." – a vírgula após "no ano passado" é deslocada: o adjunto deveria estar isolado por vírgulas ou não ter vírgula alguma. A construção "O Brasil no ano passado, foi" separa o adjunto do verbo de forma incorreta, gerando agramaticalidade. Erro: gramatical (pontuação inadequada).
NÃO CAIA NESSA!
Em reescritas, desconfie de vírgulas antes de "que" — se o original não tinha, a tendência é que a oração seja restritiva. A vírgula muda o significado e, muitas vezes, a banca usa isso como pegadinha.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.