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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsSintaxe
Código
ce191955
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior

        Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para os estudos, o curso de direito, a assim chamada “ciência do direito”. Numa terceira acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós, chamados de direitos subjetivos, pois somos os sujeitos, os titulares, desses direitos.


        Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma gigantesca teia de normas, que atinge praticamente todas as nossas atividades. Muitos pensadores têm destacado que o direito atual parece ter invadido tudo: há direito em toda parte, para todos, para tudo. A contrapartida é que, assim como temos de seguir as normas, os outros também têm de obedecer a elas e, desse modo, respeitar os direitos de cada um de nós, os ditos direitos subjetivos. 


        Vivemos num tempo em que as questões legais se tornaram corriqueiras. Apesar dessa popularização, ainda existe uma enorme dificuldade de acesso às coisas do direito. Ao mesmo tempo, os mecanismos da justiça são cada vez mais acionados, até para resolver quem fica com o cachorro depois da separação, ou se o condomínio pode impedir seus moradores de ter animais. A sobrecarga dos tribunais, e sua lentidão, é parcialmente consequência desse excesso de litigiosidade e da incapacidade das pessoas de resolver com bom senso, compreensão e respeito as questões de convivência em sociedade.


Eduardo Muylaert. Direito no cotidiano: guia de sobrevivência na selva das leis. São Paulo: Editora Contexto, 2020, p. 11-13 (com adaptações). 



Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.Alterando-se o segmento “Ninguém ignora” (primeiro período do segundo parágrafo) por Não se ignora, opera-se uma mudança na estrutura sintática do período, que não interfere, contudo, na classificação do sujeito, que é indeterminado em ambas as orações.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito determinado vs. indeterminado: a troca de "Ninguém ignora" por "Não se ignora"

Gabarito: Errado (E). A afirmação de que a classificação do sujeito permanece a mesma (indeterminado) está incorreta. No texto original, "Ninguém ignora" tem sujeito determinado (o pronome indefinido "ninguém" exerce a função de sujeito simples). Já em "Não se ignora", o "se" é índice de indeterminação do sujeito, tornando o sujeito indeterminado. Portanto, há alteração na classificação do sujeito.

Prova no texto

"Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma gigantesca teia de normas..."

  • Em "Ninguém ignora": o sujeito é "Ninguém" – pronome indefinido que funciona como substantivo, núcleo do sujeito. Trata-se de sujeito simples e determinado (o verbo concorda com ele: 3ª pessoa do singular).

  • Em "Não se ignora": o "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS). Não há um termo explícito para sujeito; a oração tem sujeito indeterminado. O verbo permanece na 3ª pessoa do singular por causa do "se".

A afirmação do item diz: "não interfere, contudo, na classificação do sujeito, que é indeterminado em ambas as orações". Isso é falso: na original, o sujeito é determinado; na alterada, é indeterminado. Logo, a classificação muda.

Erro da alternativa

O item comete um erro de troca de conceito: confunde sujeito determinado (com pronome indefinido explícito) com sujeito indeterminado (construído com o "se" de indeterminação). A banca tenta levar o candidato a achar que "ninguém" também indetermina o sujeito, mas não: "ninguém" é um termo que exerce a função de sujeito, ao passo que o "se" impede que haja um sujeito explícito.

Sujeito
  • 1Determinado
    • Termo explícito
    • Ex.: "Ninguém ignora"
      • "Ninguém" = pronome indefinido
      • Núcleo do sujeito
  • 2Indeterminado
    • Sem termo explícito
    • Ex.: "Não se ignora"
      • "se" = índice de indeterminação
      • Verbo 3ª pessoa singular
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NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode pensar que "ninguém" é um sujeito indeterminado por ser vago, mas gramaticalmente ele é sujeito simples determinado. A banca explora essa confusão entre sentido vago e classificação sintática.

Conclusão

Como a banca pediu para julgar o item (Certo ou Errado), e a afirmação é falsa, o gabarito é Errado (E).

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra E.

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