Questão de Economia — Setor Público — CESPE / CEBRASPE 2024
Economia›Setor Público
Código
ce193116
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-PR
Ano
2024
Nível
Superior
A crise econômica que atingiu o Brasil em 1999 foi resultado de uma conjunção de fatores, em especial a deterioração do balanço de pagamentos e a crescente crise fiscal resultante dos sucessivos déficits públicos nos anos anteriores. Apesar da crise e da consequente desvalorização do real, a tão temida alta inflação não foi registrada no fim do ano.A partir das informações veiculadas no texto precedente, assinale a opção que apresenta corretamente um dos motivos que levaram a uma taxa de inflação mais baixa que a esperada devido à crise.
Aeliminação temporária do regime de metas de inflação, que permitiu a ocorrência de deflações em alguns meses
Bpolítica monetária rígida, com taxa de juros real de 15% no fim de 1999
Caumento do salário mínimo em patamar superior à inflação projetada para 1999
Dalta atividade industrial, especialmente aquecida pela desvalorização cambial
Esuperindexação dos preços, consequência direta do Plano Real após 1999.
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GabaritoB — política monetária rígida, com taxa de juros real de 15% no fim de 1999
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crise de 1999 e a Inflação no Brasil
Gabarito: letra B. A política monetária rígida, com a taxa de juros real elevada (cerca de 15% ao final de 1999), foi o principal instrumento usado pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias após a desvalorização do real em janeiro de 1999. O Brasil recém havia adotado o regime de metas de inflação (junho de 1999), e a Selic foi mantida em patamares altos para ancorar as expectativas e desestimular o consumo, permitindo que a inflação ficasse bem abaixo do temido.
A banca testa o conhecimento sobre a condução da política econômica brasileira após a crise cambial de 1999. A principal chave é entender que, a despeito da desvalorização (que geralmente é inflacionária), a autoridade monetária agiu com força para segurar os preços.
NÃO CAIA NESSA!
A alternativa A parece atraente porque o regime de metas de inflação foi implementado em 1999, mas o texto fala em "eliminação temporária" – o que é o oposto: o regime foi adotado, não abolido. A alternativa C inverte a lógica: aumento real do salário mínimo aquece a demanda e pressiona a inflação, não a reduz.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que houve "eliminação temporária do regime de metas de inflação". Na verdade, o regime de metas foi adotado exatamente no primeiro semestre de 1999 e continua em vigor até hoje. O que ocorreu foi o contrário: a adoção do sistema de metas, combinada com juros altos, ajudou a controlar a inflação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Corresponde à realidade histórica. O Banco Central elevou a taxa Selic para níveis elevadíssimos – a taxa de juros real (descontada a inflação) chegou a aproximadamente 15% ao ano em dezembro de 1999. Isso contraiu o crédito e o consumo, reduzindo a demanda agregada e, por consequência, a pressão inflacionária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O aumento do salário mínimo acima da inflação projetada elevaria a renda disponível dos trabalhadores, o que tenderia a aumentar o consumo e a inflação, e não reduzi-la. Em 1999, o salário mínimo não teve reajuste real significativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A atividade industrial em 1999 estava recessiva, não aquecida. O Brasil amargava uma crise cambial e fiscal, com queda do PIB (-0,1% em 1998, e crescimento modesto em 1999). A desvalorização cambial poderia beneficiar exportações no médio prazo, mas não gerou "alta atividade industrial" imediata.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Plano Real (1994) extinguiu a indexação formal dos preços (superindexação que alimentava a inflação inercial). Após 1999, a economia permaneceu desindexada; não houve "superindexação" como consequência do Plano Real. A indexação era um problema anterior ao Real.