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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsPontuação
Código
ce193256
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Texto CB1A1-I


      O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.

     Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.

     Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.

        A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.

     Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).

       Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?



Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024.
Internet: <www.metropoles.com> (com adaptações).FimDoTexto

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.No início do quinto parágrafo, a vírgula empregada após o verbo “ilustrar” é facultativa e sua supressão preservaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula após verbo "ilustrar" no início do quinto parágrafo

Gabarito: ❌ ERRADO. A vírgula após o verbo "ilustrar" não é facultativa: sua supressão tornaria a construção gramaticalmente incorreta, pois o verbo "ilustrar" exige um complemento (objeto direto) — a oração subordinada substantiva apositiva introduzida por "para" não pode ser ligada diretamente ao verbo sem a vírgula. A afirmação do item é falsa.

Contexto do trecho

No início do quinto parágrafo do texto lê-se:

"Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa..."

A vírgula após "ilustrar" separa a oração "Para ilustrar" do restante do período. Essa oração é uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo — é um adjunto adverbial deslocado (à esquerda do verbo principal "cite-se").

A regra de ouro

Adjuntos adverbiais deslocados (antepostos ou intercalados) devem ser isolados por vírgula quando são longos ou quando a ausência da vírgula pode gerar ambiguidade. A vírgula é obrigatória nesse caso. A gramática normativa (cf. Bechara, Cunha & Cintra, entre outros) determina que adjuntos adverbiais antepostos ao verbo devem ser separados por vírgula. Exceção: adjuntos adverbiais curtos (ex.: "ontem") podem ser facultativamente isolados. "Para ilustrar" não é curto e está deslocado; a vírgula é obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de "facultativa" em questões de pontuação quando o termo deslocado é um adjunto adverbial de infinitivo ou uma oração reduzida — a tendência é ser obrigatória.

Por que a supressão da vírgula é incorreta?

Se retirássemos a vírgula:

"Para ilustrar cite-se o exemplo..."

O leitor poderia interpretar "ilustrar" como parte do sintagma seguinte, criando estranheza ou ambiguidade. A vírgula sinaliza que "Para ilustrar" é uma oração independente dentro do período, com função adverbial final, e não um adjunto direto do verbo "cite-se".

Análise do item

  • Item original: "No início do quinto parágrafo, a vírgula empregada após o verbo 'ilustrar' é facultativa e sua supressão preservaria a correção gramatical do texto."

  • Afirmação: a vírgula é facultativa → falsa, pois é obrigatória (adjunto adverbial deslocado).

  • Consequência: o item está errado.

Gabarito: ❌ ERRADO — letra E.

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