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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce193261
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TSE
Ano
2024
Nível
Superior
Texto CB1A1-I


      O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.

     Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.

     Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.

        A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.

     Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).

       Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?



Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024.
Internet: <www.metropoles.com> (com adaptações).FimDoTexto

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.Seria mantida a correção gramatical e a coesão do último período do texto, caso a forma verbal “houver” fosse substituída por houvesse.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “houver” por “houvesse” – efeitos no tempo e na coesão

Gabrito: ❌ ERRADO (E). A troca de “houver” (futuro do subjuntivo) por “houvesse” (pretérito imperfeito do subjuntivo) altera o valor temporal da oração condicional, prejudicando a coesão e o sentido original do período. A forma “houver” expressa uma condição possível no futuro; “houvesse” deslocaria a condição para um plano hipotético ou irreal, incompatível com a generalização do trecho.

O último período do texto é:

“Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?”

A oração condicional “se não houver” indica uma condição que pode ou não se realizar — é uma possibilidade futura. O futuro do subjuntivo é o tempo adequado para expressar essa ideia em contextos de condição real ou eventual. Ao substituir por “houvesse”, a condição passa a ser expressa no pretérito imperfeito do subjuntivo, que, em orações condicionais, denota um fato hipotético ou contrário à realidade (como em “se houvesse, seria diferente”). Isso criaria o sentido de que a “consciência mínima” é algo que definitivamente não existe, o que contradiz a intenção do autor de alertar para a necessidade de adquiri-la.

💡 Dica: Em condicionais com “se”, o futuro do subjuntivo indica fato provável ou eventual; o pretérito imperfeito do subjuntivo indica hipótese menos provável ou contrária ao real. A banca explora essa diferença sutil de sentido para testar a coesão.

Portanto, embora ambas as formas sejam gramaticalmente corretas, a substituição altera a relação lógico-temporal do período, rompendo a coesão e o sentido pretendido. Logo, o item está ERRADO.

Conclusão: A resposta correta é a letra E.

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