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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce193294
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TST
Ano
2024
Nível
Superior

Texto CB2A1


      Os primeiros registros dos impactos da desinformação em processos políticos datam da Roma Antiga, quando Otaviano valeu-se de frases curtas cunhadas em moedas para difamar inimigos e se tornar o primeiro governante do Império Romano. Mas, segundo o historiador português Fernando Catroga, da Universidade de Coimbra, a emergência de tecnologias digitais fez o fenômeno ganhar novas roupagens, sendo uma de suas características atuais o impulso de ir além da manipulação dos fatos, em busca de substituir a própria realidade. Com foco nessa questão, um estudo desenvolvido entre abril de 2020 e junho de 2021 por pesquisadores da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FD-USP) analisou como organizações jurídicas brasileiras reagiram a informações falaciosas espalhadas por plataformas digitais. A ausência de consenso em torno do conceito de desinformação e as dificuldades para mensurar suas consequências foram identificadas como centrais para o estabelecimento de uma legislação.

       Coordenador do estudo, o jurista Celso Fernandes Campilongo, da FD-USP, observa que, há 15 anos, a formação da opinião pública era influenciada, majoritariamente, por análises longas e reflexivas, divulgadas de forma centralizada por veículos da grande imprensa. “Hoje a opinião pública tem de lidar com uma avalanche de informações curtas e descontínuas, publicadas por pessoas com forte presença nas mídias sociais. Com isso, de certa forma, os memes e as piadas substituíram o texto analítico”, compara. Ao destacar que o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático, Campilongo cita a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua — Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD Contínua — TIC), publicada em abril de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2019, conforme indicam seus dados, três em cada quatro brasileiros utilizavam a Internet, e o celular foi o equipamento usado com mais frequência para essa finalidade. Além disso, o levantamento mostra que 95,7% dos cidadãos do país com acesso à Web valiam-se da rede para enviar ou receber mensagens de texto e de voz ou imagens por aplicativos.


Christina Queiroz. Revista Pesquisa FAPESP. Edição 316, jun. 2022.

No texto CB2A1, o segmento “às redes sociais” (quarto período do segundo parágrafo)
  1. Adelimita o sentido da forma verbal “destacar”.
  2. Bacrescenta informação ao sentido da forma verbal “destacar”.
  3. Cmodifica o sentido da forma verbal “destacar”.
  4. Dcomplementa o sentido do vocábulo “acesso”.
  5. Eatribui características ao vocábulo “acesso”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — complementa o sentido do vocábulo “acesso”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática do segmento "às redes sociais"

Gabarito: letra D. O segmento "às redes sociais" complementa o sentido do vocábulo "acesso", funcionando como complemento nominal. Isso é comprovado pelo trecho:

"Ao destacar que o acesso às redes sociais pode ser visto como mais democrático, Campilongo cita a Pesquisa..."

A preposição "a" (contraída com o artigo "as" em "às") é exigida pelo substantivo "acesso", formando a estrutura "acesso a algo". Trata-se de um complemento nominal, e não de um termo relacionado ao verbo "destacar".

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Delimita o sentido da forma verbal 'destacar'." O segmento "às redes sociais" não delimita o verbo; delimita o substantivo "acesso". A banca confunde regência nominal com regência verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Acrescenta informação ao sentido da forma verbal 'destacar'." Novamente, a informação está vinculada a "acesso", não ao verbo "destacar".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Modifica o sentido da forma verbal 'destacar'." A modificação se dá no nome "acesso", que é o núcleo do objeto de "destacar".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Complementa o sentido do vocábulo 'acesso'." Exata função: "acesso" exige complemento preposicionado; "às redes sociais" completa seu sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Atribui características ao vocábulo 'acesso'." Atribuir características é função de adjunto adnominal (adjetivo). Aqui, o termo é preposicionado e obrigatório, caracterizando complemento nominal, não adjunto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato associar "às redes sociais" ao verbo "destacar", mas a regência nominal do substantivo "acesso" é a chave.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar complemento nominal, observe se o termo vem regido por preposição exigida pelo nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).

Conclusão: A única alternativa correta é a D.

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