Questão de Raciocínio Lógico — Equivalência Lógica e Negação de Proposições — CESPE / CEBRASPE 2025
Raciocínio Lógico›Equivalência Lógica e Negação de Proposições
Código
ce194859
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialista em Recursos Minerais - Especialidade: Qualquer Área de Formação (Fiscalização e Distribuição de Receita)
Considerando a proposição P: “Se o bem é bom, bonito e barato, eu gosto.”, julgue o item que se segue, relativo a aspectos da lógica sentencial dessa proposição.A proposição P é equivalente à proposição “Se eu gosto, o bem é bom, bonito e barato.”.
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Equivalência Lógica: Condicional e sua Recíproca
❌ ERRADO. A proposição P: “Se o bem é bom, bonito e barato, eu gosto” é uma condicional da forma , e a proposição “Se eu gosto, o bem é bom, bonito e barato” é a sua recíproca (), que não é logicamente equivalente à original. A equivalência correta da condicional é a contrapositiva () ou a disjunção ().
A banca explora aqui um dos erros mais comuns em lógica proposicional: confundir a condicional com a sua recíproca. Vamos entender o porquê com calma.
O que é uma proposição condicional?
Uma proposição condicional tem a forma “se , então ” (simbolicamente ), em que é o antecedente e é o consequente. No caso da questão:
= “o bem é bom, bonito e barato”
= “eu gosto”
A condicional afirma que a ocorrência de é suficiente para a ocorrência de . Ou seja, se o bem tiver as três qualidades, então eu gosto.
Quais são as equivalências da condicional?
A condicional possui duas equivalências notáveis:
Contrapositiva: — “Se eu não gosto, então o bem não é bom, bonito e barato.”
Disjunção: — “O bem não é bom, bonito e barato, ou eu gosto.”
A recíproca () — “Se eu gosto, então o bem é bom, bonito e barato” — não é equivalente à condicional original. A tabela-verdade abaixo mostra isso claramente:
V
V
V
V
V
F
F
V
F
V
V
F
F
F
V
V
Perceba que nas linhas 2 e 3 os valores lógicos são opostos. Portanto, as duas proposições não possuem a mesma tabela-verdade e, por definição, não são equivalentes.
Por que a banca faz essa pegadinha?
A banca troca a condicional pela sua recíproca, uma armadilha clássica. O candidato desatento pode pensar: “se o bem é bom, bonito e barato, eu gosto; logo, se eu gosto, o bem é bom, bonito e barato”. Esse raciocínio é intuitivo, mas logicamente inválido. A condicional não estabelece uma relação de “se e somente se” — ela apenas afirma que implica , não que implica .
Equivalências da condicional (p → q): Contrapositiva (~q → ~p) ("Se eu não gosto, o bem não é bom, bonito e barato"); Disjunção (~p ∨ q) ("O bem não é bom, bonito e barato, ou eu gosto"); Recíproca (q → p) (NÃO é equivalente, "Se eu gosto, o bem é bom, bonito e barato")
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a condicional pela sua recíproca (). O candidato cai ao pensar que a relação de implicação é simétrica, mas ela não é. A equivalência correta seria a contrapositiva (): “Se eu não gosto, então o bem não é bom, bonito e barato.”
Conclusão
A proposição P não é equivalente a “Se eu gosto, o bem é bom, bonito e barato”, pois esta é a recíproca da condicional original. A afirmação do item está errada.