Questão de Auditoria Governamental — Processo de Auditoria — CESPE / CEBRASPE 2025
Auditoria Governamental›Processo de Auditoria
Código
ce196348
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAESB-DF
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Suporte ao Negócio - Contador
Um programa federal de mobilidade urbana transferiu recursos a diversos municípios para a realização de obras públicas, monitoradas por sistemas digitais de acompanhamento. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu denúncias de duplicidade de medições, manipulação de dados e divergências entre laudos físicos e registros oficiais.Considerando a situação hipotética apresentada, o arcabouço normativo vigente e os princípios doutrinários de auditoria governamental, assinale a opção que apresenta as ações a serem realizadas no âmbito da estratégia de auditoria adequada para o caso em apreço.
Aexecutar cruzamento de dados nos sistemas digitais; realizar inspeções in loco; verificar causas e efeitos das inconsistências; entrevistar equipes técnicas e beneficiários; e evidenciar, nos relatórios de formalização dos achados, os critérios, circunstâncias, recomendações e riscos sistêmicos identificados
Bavaliar a população de municípios, sob a perspectiva estatística; selecionar apenas os municípios que movimentaram volumes financeiros acima do risco tolerável, baseando-se predominantemente nos relatórios enviados pelos gestores das obras; e aprofundar os trabalhos de auditoria
Cconfirmar os pagamentos de medições através de circularização bancária; dispensar entrevistas, inspeções físicas e validação das evidências digitais; e comunicar apenas os erros comprovados operacionalmente e que estejam relacionados à não aplicação dos recursos
Destabelecer a amostra a ser avaliada; priorizar análises estatísticas e documentais dos repasses federais; e acompanhar os pagamentos realizados pelas prefeituras, sem a necessidade de examinar especificidades locais ou visitar as obras denunciadas ao TCU
Erealizar a conciliação dos dados dos sistemas oficiais com as medições recebidas; evitar contato direto com gestores ou beneficiários por motivo de possível conflito de interesse; avaliar a qualidade dos relatórios parciais apresentados; e emitir relatórios sumários sobre as irregularidades apuradas
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GabaritoA — executar cruzamento de dados nos sistemas digitais; realizar inspeções in loco; verificar causas e efeitos das inconsistências; entrevistar equipes técnicas e beneficiários; e evidenciar, nos relatórios de formalização dos achados, os critérios, circunstâncias, recomendações e riscos sistêmicos identificados
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Auditoria Governamental: Procedimentos de Auditoria em Casos de Fraude
Gabarito: letra A. A alternativa A descreve um conjunto completo e coerente de ações de auditoria diante de denúncias de duplicidade de medições, manipulação de dados e divergências entre laudos físicos e registros oficiais. Ela combina análise digital (cruzamento de dados), verificação física (inspeções in loco), investigação analítica (causas e efeitos), oitiva de pessoas envolvidas (entrevistas) e documentação robusta dos achados (critérios, circunstâncias, recomendações e riscos). Esse conjunto atende aos princípios doutrinários de auditoria governamental, como a obtenção de evidências apropriadas e suficientes, aderência ao planejamento e comunicação adequada dos resultados.
A banca cobra a capacidade de selecionar a estratégia de auditoria mais adequada a um contexto de suspeita de fraude, respeitando os manuais do TCU e as normas de auditoria (NBC TA, ISSAI, NAT). A seguir, analisa-se cada alternativa.
Ação de Auditoria
Alternativa A (Correta)
Alternativa B (Incorreta)
Alternativa C (Incorreta)
Alternativa D (Incorreta)
Alternativa E (Incorreta)
Fonte de Evidência
Cruzamento de dados digitais + inspeções in loco + entrevistas
A alternativa prevê as seguintes ações: executar cruzamento de dados nos sistemas digitais; realizar inspeções in loco; verificar causas e efeitos das inconsistências; entrevistar equipes técnicas e beneficiários; e evidenciar, nos relatórios de formalização dos achados, os critérios, circunstâncias, recomendações e riscos sistêmicos identificados. Todas essas etapas são fundamentais para uma auditoria eficaz: a análise digital detecta padrões anômalos; a inspeção física confronta a realidade com os registros; a análise causal aprofunda o entendimento; as entrevistas coletam evidências testemunhais; e o relatório completo possibilita a tomada de decisões pelos órgãos de controle. Portanto, está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa propõe: avaliar a população de municípios sob perspectiva estatística; selecionar apenas os municípios com movimentação financeira acima do risco tolerável, baseando-se predominantemente nos relatórios enviados pelos gestores das obras; e aprofundar os trabalhos de auditoria. O erro está em basear a seleção predominantemente em relatórios dos gestores, que podem estar fraudados, e em não prever verificações independentes (inspeções, entrevistas). A auditoria deve obter evidências de fontes independentes, não apenas confiar na parte auditada. Além disso, limitar a amostra apenas a municípios com alto volume financeiro pode deixar de lado fraudes em valores menores.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma: confirmar pagamentos de medições por circularização bancária; dispensar entrevistas, inspeções físicas e validação das evidências digitais; e comunicar apenas os erros comprovados operacionalmente relacionados à não aplicação dos recursos. Essa estratégia é insuficiente e viola os princípios de auditoria. A circularização bancária é uma técnica útil, mas não substitui a verificação física das obras nem a oitiva de envolvidos. Dispensar entrevistas, inspeções e validação digital elimina fontes essenciais de evidência. Ademais, comunicar apenas erros operacionais ignora riscos sistêmicos e irregularidades mais amplas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe: estabelecer a amostra a ser avaliada; priorizar análises estatísticas e documentais dos repasses federais; e acompanhar os pagamentos realizados pelas prefeituras, sem necessidade de examinar especificidades locais ou visitar as obras denunciadas. A falha está em descartar o exame local e as visitas às obras. Quando há denúncias de divergências entre laudos físicos e registros, a inspeção in loco é indispensável para confrontar a realidade. Não visitar as obras significa abrir mão da evidência física mais direta, o que compromete a suficiência e adequação das evidências.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma: realizar conciliação dos dados dos sistemas oficiais com as medições recebidas; evitar contato direto com gestores ou beneficiários por motivo de possível conflito de interesse; avaliar a qualidade dos relatórios parciais apresentados; e emitir relatórios sumários sobre as irregularidades apuradas. O grande equívoco é evitar contato direto com gestores ou beneficiários. Em auditoria, o conflito de interesse é gerenciado, não evitado com isolamento. Entrevistas são procedimentos normais para esclarecer inconsistências e obter explicações. Além disso, relatórios sumários podem ser insuficientes para comunicar adequadamente os achados e recomendações.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de auditoria governamental, lembre-se do tripé: análise documental, verificação física e obtenção de depoimentos. A estratégia deve prever confronto entre fontes internas e externas, jamais confiar exclusivamente nos registros da parte auditada. Sempre que houver indícios de fraude, intensifique os testes substantivos e inclua procedimentos de surpresa, como inspeções in loco não anunciadas.