Questão de Veterinária — Doenças Infecciosas — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce197581
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista - Área: Ciência Agrárias - Subárea: Clínica Veterinária
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. O item está correto porque descreve com precisão a epidemiologia da leucose enzoótica bovina: infecção pelo vírus da leucemia bovina (BLV) pode ocorrer em qualquer idade, inclusive na fase embrionária (transmissão transplacentária), a maioria dos infectados permanece assintomática (subclínica), uma parcela desenvolve linfocitose persistente (geralmente após os 3 anos) e uma minoria evolui para linfossarcoma em múltiplos órgãos. Essa é a forma clássica de apresentação da doença, conforme a literatura de doenças infecciosas dos ruminantes.
A leucose enzoótica bovina é uma doença viral crônica causada por um retrovírus (família Retroviridae, gênero Deltaretrovirus), o vírus da leucemia bovina (BLV). A infecção é persistente e, na maioria dos animais, não produz sinais clínicos — estima-se que cerca de 70% dos bovinos infectados permaneçam assintomáticos por toda a vida, atuando como portadores e fontes de infecção para o rebanho. A transmissão ocorre principalmente por meio de sangue contaminado (fômites, agulhas, tatuadores, descornas), mas também pode ocorrer verticalmente: pela placenta (transmissão transplacentária, atingindo o feto ainda na fase embrionária), pelo colostro e pelo leite. Por isso, o item está correto ao afirmar que a infecção pode ocorrer em qualquer idade, inclusive na fase embrionária.
A doença apresenta três formas de evolução clínico-patológica, que o item descreve corretamente em ordem crescente de gravidade:
Forma subclínica (assintomática): a maioria dos infectados não desenvolve alterações hematológicas ou clínicas detectáveis, permanecendo como portadores inaparentes.
Linfocitose persistente (LP): uma percentagem de bovinos, geralmente com mais de três anos, desenvolve um aumento sustentado e progressivo do número de linfócitos circulantes (linfocitose absoluta), sem sinais clínicos evidentes. Essa condição é benigna e não progride necessariamente para tumor.
Linfossarcoma (linfoma maligno): um grupo menor de animais desenvolve tumores sólidos (linfossarcomas) em diversos órgãos internos — linfonodos, coração, abomaso, fígado, baço, rins, útero, sistema nervoso central etc. Essa é a forma clínica mais grave, geralmente fatal, e ocorre em uma minoria dos infectados (menos de 5% dos animais soropositivos).
A distinção entre linfocitose persistente e linfossarcoma é essencial: a primeira é uma alteração hematológica benigna e reversível, enquanto a segunda é uma neoplasia maligna. O item não confunde esses conceitos — ele os apresenta como estágios distintos e progressivos, o que está de acordo com a patogenia da doença.
A pegadinha que a banca poderia explorar seria inverter a proporção: afirmar que a maioria desenvolve linfossarcoma ou que a linfocitose persistente ocorre em animais jovens. O item, porém, mantém a proporção correta (maioria subclínica → minoria com LP → grupo menor ainda com linfossarcoma) e a faixa etária correta (LP após os 3 anos). Portanto, não há erro.
A banca poderia trocar as proporções ou a idade — por exemplo, dizer que a linfocitose persistente ocorre em animais jovens ou que a maioria desenvolve tumores. Aqui, o item acerta ao manter a sequência: maioria subclínica → minoria com LP (após 3 anos) → minoria ainda menor com linfossarcoma. Fique atento a essas inversões em outras questões.
Para memorizar a epidemiologia da LEB, lembre-se da regra dos "três estágios": subclínica (maioria) → linfocitose persistente (minoria, >3 anos) → linfossarcoma (minoria ainda menor). E lembre-se de que a transmissão vertical (transplacentária, colostro, leite) explica a infecção embrionária.
Gabarito: ✅ CERTO.
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