Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce197702
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista - Área: Ciência Agrárias - Subárea: Sanidade e Defesa Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. O item está correto porque as análises genotípicas, baseadas na detecção de variações nas sequências de DNA, permitem identificar subtipos bacterianos com precisão, rastrear fontes de infecção e transmissão, reconhecer cepas virulentas e monitorar programas de vacinação — exatamente o que o enunciado afirma. Essa é a aplicação prática da genética molecular na epidemiologia e no controle de doenças infecciosas, como a mastite bovina.
A mastite é a inflamação da glândula mamária, quase sempre de origem infecciosa, causada principalmente por bactérias como Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Escherichia coli e Corynebacterium bovis. O diagnóstico tradicional é feito por cultura microbiológica e antibiograma, que identificam o gênero e a espécie do agente. Porém, essas técnicas fenotípicas têm limitações: não distinguem, por exemplo, se dois casos de mastite na mesma propriedade foram causados pela mesma cepa bacteriana (ou seja, se houve transmissão entre animais) ou por cepas diferentes (fontes independentes de infecção).
É aí que entram as análises genotípicas. Elas comparam o DNA dos isolados bacterianos, buscando variações em sequências específicas — como os genes que codificam fatores de virulência, ou regiões hipervariáveis do genoma. Técnicas como PFGE (eletroforese em gel de campo pulsado), RAPD, REP-PCR, MLST (tipagem por sequenciamento de múltiplos loci) e, mais recentemente, o sequenciamento de nova geração (NGS) permitem diferenciar cepas dentro da mesma espécie. Essa capacidade de discriminação é o que torna possível:
Identificar subtipos bacterianos: distinguir cepas de S. aureus que produzem enterotoxinas (mais virulentas) daquelas que não produzem;
Rastrear fontes de infecção e transmissão: se dois animais apresentam a mesma cepa, é provável que haja transmissão entre eles (ex.: via equipamento de ordenha, mãos do ordenhador); se apresentam cepas diferentes, a infecção veio de fontes ambientais distintas;
Reconhecer tipos virulentos: identificar genes de resistência a antibióticos ou de produção de toxinas, orientando o tratamento e as medidas de controle;
Monitorar programas de vacinação: avaliar se as cepas circulantes na propriedade são cobertas pela vacina utilizada, ou se novas cepas estão surgindo e escapando da imunidade.
A análise filogenética, mencionada no enunciado, é a ferramenta que organiza essas informações: ela constrói árvores evolutivas que mostram o grau de parentesco entre as cepas, revelando cadeias de transmissão e a dinâmica da doença no rebanho. Portanto, o item descreve com precisão as aplicações das análises genotípicas no diagnóstico e controle da mastite.
A pegadinha aqui é sutil: o candidato pode achar que "análise filogenética" se refere apenas a estudos evolutivos de espécies, distantes da prática clínica. Mas a filogenia molecular é amplamente usada em epidemiologia para rastrear surtos e entender a transmissão de patógenos — exatamente o que o item descreve. Não há erro conceitual ou técnico na afirmação.
A afirmativa está correta porque descreve fielmente as aplicações das análises genotípicas no contexto da mastite. Cada ponto mencionado é tecnicamente preciso:
"detectar variações nas sequências de DNA": é o princípio básico de qualquer análise genotípica — comparar o DNA de diferentes isolados para encontrar diferenças (polimorfismos);
"identificação acurada de subtipos bacterianos": técnicas como PFGE e MLST distinguem cepas dentro da mesma espécie, algo que a cultura tradicional não faz;
"fontes de infecção e de transmissão": a comparação genética permite inferir se isolados são geneticamente idênticos (mesma fonte) ou diferentes (fontes distintas), traçando a cadeia epidemiológica;
"reconhecimento de tipos virulentos": a detecção de genes de virulência (ex.: genes de toxinas em S. aureus) identifica cepas mais perigosas;
"monitoramento de programas de vacinação": ao conhecer as cepas circulantes, é possível verificar se a vacina utilizada é eficaz contra elas, ou se há necessidade de atualização.
Não há nenhum termo incorreto ou exagerado. A frase "identificação acurada" é adequada, pois as técnicas moleculares têm alta sensibilidade e especificidade. O item está plenamente de acordo com a literatura científica sobre diagnóstico molecular de mastites.
Gabarito: ✅ CERTO.
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