Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Biologia Molecular em Biomedicina — CESPE / CEBRASPE 2025
Biomedicina - Análises Clínicas›Biologia Molecular em Biomedicina
Código
ce198199
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista - Área: Ciências Biológicas - Subárea: Biologia Avançada e Tecnologia da Informação
O processo de anotação genômica requer o uso de fundamentos de biologia e diversas ferramentas para auxiliar o processo. A esse respeito, julgue o item a seguir.Na anotação genômica, é fundamental o estabelecimento de relações evolutivas e funcionais com espécies afins, e a busca por ortólogos é central para os esforços de transferência de anotação funcional, o que pode ser feito por meio de buscas em bancos de dados curados com grupos de genes ortólogos, como o KEGG.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Anotação genômica e transferência de anotação funcional
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta porque a anotação genômica depende, de fato, do estabelecimento de relações evolutivas e funcionais com espécies afins, e a identificação de genes ortólogos é uma estratégia central para a transferência de anotação funcional, sendo o KEGG um exemplo de banco de dados curado que organiza grupos de genes ortólogos. Essa é uma premissa fundamental da bioinformática e da genômica comparativa.
A anotação genômica é o processo de identificar e descrever os elementos funcionais de um genoma — genes, regiões regulatórias, RNAs não codificantes, entre outros — atribuindo-lhes funções biológicas. Como a experimentação funcional em larga escala é inviável para todos os genes de um genoma recém-sequenciado, a estratégia mais utilizada é a transferência de anotação funcional: inferir a função de um gene desconhecido com base na função já conhecida de um gene homólogo em outra espécie. Essa inferência se apoia na teoria da evolução: genes que compartilham um ancestral comum tendem a preservar funções similares.
Aqui entra a distinção central entre ortólogos e parálogos. Ortólogos são genes em espécies diferentes que descendem de um único gene ancestral presente no ancestral comum dessas espécies — ou seja, a divergência ocorreu por especiação. Parálogos, por sua vez, são genes dentro da mesma espécie que surgiram por duplicação gênica. Essa diferença é crucial: ortólogos tendem a manter a função original, enquanto parálogos frequentemente adquirem funções novas ou especializadas. Por isso, a transferência de anotação funcional é muito mais confiável entre ortólogos do que entre parálogos — inferir a função de um gene com base em um parálogo pode levar a erros, pois a duplicação permite que uma cópia evolua livremente.
Na prática, a busca por ortólogos é feita por meio de ferramentas de comparação de sequências (como BLAST) e, principalmente, por bancos de dados curados que agrupam genes ortólogos de múltiplas espécies. O KEGG (Kyoto Encyclopedia of Genes and Genomes) é um dos mais conhecidos: além de integrar informações sobre vias metabólicas, ele mantém o KEGG Orthology (KO), um sistema que classifica genes ortólogos em grupos funcionais (KOs), permitindo associar funções e vias a genes de organismos ainda não caracterizados experimentalmente. Outros exemplos incluem o OrthoDB, o EggNOG e o COG (Clusters of Orthologous Groups).
A pegadinha que a banca poderia explorar seria confundir ortólogos com parálogos, ou afirmar que a transferência de anotação é feita com base em qualquer homólogo, sem distinguir a relação evolutiva. A afirmativa, porém, é precisa ao mencionar "relações evolutivas e funcionais com espécies afins" e "busca por ortólogos", o que está tecnicamente correto. Guarde essa distinção: ortólogo = especiação → função conservada → base da transferência de anotação; parálogo = duplicação → função possivelmente divergente → risco para a inferência.
Transferência de anotação funcional
1Base: homologia
Ortólogos (especiação)
Função conservada
Base confiável da inferência
Parálogos (duplicação)
Função divergente
Risco de inferência errada
2Bancos curados de ortólogos
KEGG (KO)
OrthoDB
EggNOG
COG
LEVEL · soulevel.com.br
Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta por três razões concatenadas: (1) a anotação genômica realmente exige o estabelecimento de relações evolutivas e funcionais com espécies afins, pois é a partir da comparação com genomas já anotados que se infere a função de genes novos; (2) a busca por ortólogos é, de fato, central para a transferência de anotação funcional, porque ortólogos — genes relacionados por especiação — tendem a preservar a função ancestral, tornando a inferência confiável; e (3) o KEGG é um banco de dados curado que organiza grupos de genes ortólogos (KEGG Orthology), sendo amplamente utilizado para esse fim. Não há erro conceitual nem de nomenclatura na assertiva.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de genômica comparativa, memorize a tríade: ortólogo (especiação, função conservada, usado na transferência de anotação) × parálogo (duplicação, função divergente, risco de inferência errada). Se a alternativa trocar esses termos, está errada. E lembre-se: KEGG, OrthoDB, EggNOG e COG são bancos de ortólogos; bancos como GenBank/RefSeq são apenas repositórios de sequências, sem curadoria funcional de ortólogos.