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Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025

VeterináriaGenética em Medicina Veterinária
Código
ce198216
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista - Área: Ciências Biológicas - Subárea: Biologia Molecular e Genética Animal
Acerca da contribuição da genética no enfrentamento dos desafios ambientais contemporâneos, julgue o item subsequente.Embora bovinos zebuínos (Bos taurus indicus) apresentem, por razões genéticas, menores emissões relativas de metano em comparação aos taurinos (Bos taurus taurus), esse benefício não é suficiente, isoladamente, para neutralizar totalmente as maiores emissões resultantes do uso exclusivo de pastagens tropicais fibrosas e pouco digestíveis.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Genética e emissões de metano em bovinos: zebuínos × taurinos

Gabarito: CERTO. A afirmação está correta: zebuínos (Bos taurus indicus) apresentam, por razões genéticas, menores emissões relativas de metano entérico que taurinos (Bos taurus taurus), mas essa vantagem genética não é suficiente, isoladamente, para compensar as maiores emissões totais decorrentes da baixa digestibilidade das pastagens tropicais fibrosas. O item articula corretamente dois fatores que influenciam a emissão de metano: a genética do animal e a qualidade da dieta.

A emissão de metano entérico em ruminantes é um dos principais focos da pecuária sustentável, pois o metano é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global muito superior ao do CO₂. A quantidade de metano produzida por um bovino depende de uma complexa interação entre fatores genéticos, fisiológicos e nutricionais. Geneticamente, há diferenças documentadas entre grupos genéticos: zebuínos tendem a apresentar menor emissão de metano por unidade de alimento consumido ou por unidade de produto (emissão relativa) quando comparados a taurinos, em parte devido a diferenças na fisiologia digestiva, na microbiota ruminal e na eficiência alimentar. Essa característica tem base genética e pode ser explorada em programas de melhoramento genético para selecionar animais mais eficientes e com menor pegada de carbono.

Contudo, a emissão total de metano de um sistema de produção não é determinada apenas pela genética do animal. A dieta exerce influência preponderante: forragens tropicais, como braquiárias e outras gramíneas de clima quente, são tipicamente mais fibrosas e menos digestíveis que forragens de clima temperado. Quando o animal consome uma dieta de baixa digestibilidade, o processo de fermentação ruminal se torna menos eficiente, gerando maior produção de metano por unidade de alimento digerido. Isso ocorre porque a fermentação de fibras de baixa qualidade favorece a produção de hidrogênio, que é utilizado pelas arqueias metanogênicas para formar metano. Assim, mesmo que o zebuíno tenha uma predisposição genética para emitir menos metano, essa vantagem pode ser parcialmente ou totalmente anulada quando o animal é mantido exclusivamente em pastagens tropicais de baixa qualidade.

O item afirma exatamente essa relação: o benefício genético dos zebuínos não é suficiente, isoladamente, para neutralizar as maiores emissões resultantes do uso exclusivo de pastagens tropicais fibrosas. Essa é uma afirmação cientificamente correta e alinhada com o entendimento atual de que a mitigação das emissões de metano na pecuária exige abordagens integradas, combinando melhoramento genético, manejo nutricional, suplementação e outras estratégias. A genética é uma ferramenta importante, mas não é uma solução isolada.

A banca explora aqui a capacidade de o candidato compreender que a emissão de metano é um fenômeno multifatorial. A pegadinha seria pensar que, por os zebuínos emitirem menos metano, eles seriam automaticamente uma solução para o problema ambiental, ignorando o efeito da dieta. O item, ao contrário, reconhece a vantagem genética, mas a contextualiza corretamente dentro do sistema de produção, afirmando que ela não é suficiente para compensar o efeito negativo da dieta de baixa qualidade.

Emissão de metano entérico
  • 1Fatores genéticos
    • Zebuínos: menor emissão relativa
    • Taurinos: maior emissão relativa
  • 2Fatores nutricionais
    • Pastagens tropicais fibrosas
    • Baixa digestibilidade
    • Maior produção de metano
  • 3Interação
    • Vantagem genética não compensa dieta
    • Mitigação exige abordagem integrada
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ CERTO

A assertiva está correta por dois motivos complementares. Primeiro, reconhece corretamente a diferença genética entre zebuínos e taurinos quanto à emissão relativa de metano: zebuínos, de fato, tendem a emitir menos metano por unidade de alimento ou produto, uma característica associada à sua fisiologia digestiva e microbiota ruminal, com base genética. Segundo, e mais importante, o item afirma que essa vantagem genética não é suficiente, isoladamente, para neutralizar as maiores emissões resultantes do uso exclusivo de pastagens tropicais fibrosas e pouco digestíveis. Essa segunda parte é a chave: a qualidade da dieta tem impacto tão grande na emissão de metano que pode superar a vantagem genética. Forragens tropicais de baixa digestibilidade aumentam a produção de metano por unidade de alimento digerido, de modo que, em um sistema exclusivamente a pasto com forragem de baixa qualidade, a emissão total tende a ser alta, independentemente do mérito genético do animal. Portanto, a afirmação está cientificamente correta e reflete o entendimento atual de que a mitigação das emissões exige abordagens integradas, não apenas a seleção genética.

Gabarito: CERTO.

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