Acerca de edição gênica e biologia sintética, julgue o item subsequente.O uso de CRISPR/Cas9 limita-se à edição de genes em células somáticas.
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Edição gênica com CRISPR/Cas9
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque o sistema CRISPR/Cas9 não se limita à edição de genes em células somáticas — ele é amplamente utilizado também em células germinativas e em linhagens germinativas, permitindo a edição hereditária em diversas espécies, incluindo animais de produção e modelos experimentais. Essa versatilidade é um dos pilares da biologia sintética e da engenharia genética moderna.
O CRISPR/Cas9 é uma ferramenta de edição gênica derivada de um sistema de defesa bacteriano, composto por uma enzima (Cas9) que corta o DNA em local específico guiado por um RNA. Essa tecnologia revolucionou a genética por sua simplicidade, eficiência e baixo custo, sendo aplicada tanto em células somáticas (não hereditárias) quanto em células germinativas (que geram gametas) e em embriões, permitindo alterações que podem ser transmitidas à descendência. Na medicina veterinária, por exemplo, já foram gerados animais geneticamente modificados — como suínos resistentes a doenças e bovinos sem chifres — por meio da edição de células germinativas ou de embriões, o que demonstra que a aplicação vai muito além das células somáticas.
A distinção central que a banca explora é entre edição somática e edição germinativa. A edição somática afeta apenas o indivíduo tratado, sem transmitir a alteração à prole; já a edição germinativa (em células germinativas ou embriões) produz mudanças hereditárias. O CRISPR/Cas9 opera nas duas frentes, e é justamente essa capacidade de editar a linhagem germinativa que o torna tão poderoso para o melhoramento genético animal e para a criação de modelos de doenças. A afirmativa, ao restringir o uso a células somáticas, ignora essa aplicação germinativa — um erro conceitual clássico.
Além disso, o CRISPR/Cas9 também é empregado em pesquisas com células-tronco, em terapias gênicas experimentais e na criação de organismos geneticamente modificados (OGMs) para fins agrícolas e biomédicos. A biologia sintética, por sua vez, utiliza o CRISPR como uma das principais ferramentas para reprogramar genomas inteiros, o que reforça ainda mais a amplitude de suas aplicações. Portanto, a limitação imposta pela afirmativa não encontra respaldo na prática científica atual.
A pegadinha aqui é a palavra "limita-se": o candidato pode ser levado a pensar que, por ser uma técnica recente e com discussões éticas sobre edição germinativa, o CRISPR só seria usado em células somáticas. Mas a realidade é exatamente o oposto — a edição germinativa é uma das aplicações mais promissoras e já realizadas em animais. Guarde essa distinção: somática = não hereditária; germinativa = hereditária. É nela que a questão se resolve.
CRISPR/Cas9: Células somáticas (Não hereditária, Afeta só o indivíduo); Células germinativas (Hereditária, Transmitida à prole); Embriões (Edição hereditária); Aplicações (Terapia gênica, Melhoramento animal, Modelos de doenças)
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa "O uso de CRISPR/Cas9 limita-se à edição de genes em células somáticas" é falsa. O erro está no termo "limita-se", que impõe uma restrição inexistente. O CRISPR/Cas9 é utilizado tanto em células somáticas quanto em células germinativas e embriões, permitindo edição hereditária. Exemplos concretos incluem a geração de suínos editados para resistência à síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRS) e bovinos com ausência de chifres (polled), ambos obtidos por edição em células germinativas ou embriões. Assim, a afirmação contraria o conhecimento científico consolidado sobre a versatilidade da técnica.