Questão de Estatística — Modelos lineares — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce198778
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista - Área: Métodos Quantitativos Avançados - Subárea: Métodos Quantitativos
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a regressão linear pode ser ajustada a conjuntos de dados com muitas variáveis preditoras; a alta dimensionalidade não torna o cálculo da matriz de estimação inviável por si só, embora possa trazer desafios como multicolinearidade e sobreajuste. O cálculo da matriz de estimação (por mínimos quadrados) é sempre possível do ponto de vista algébrico, desde que a matriz de planejamento tenha posto coluna completo; em casos de dimensionalidade extrema, existem técnicas como regressão ridge, LASSO e métodos de regularização que permitem o ajuste.
A regressão linear é uma técnica estatística que modela a relação entre uma variável dependente (resposta) e uma ou mais variáveis independentes (preditoras). No caso da regressão linear múltipla, o modelo assume a forma , em que é o número de preditoras. O ajuste pelo método dos mínimos quadrados consiste em encontrar os coeficientes que minimizam a soma dos quadrados dos resíduos, o que envolve resolver o sistema de equações normais . A solução é , que requer a inversão da matriz .
A afirmativa do enunciado confunde dois conceitos: a viabilidade computacional do ajuste com a qualidade do modelo. Em dados de alta dimensionalidade (quando é grande, possivelmente maior que , o número de observações), a matriz pode ser singular (não invertível), o que impede a solução única pelos mínimos quadrados ordinários. No entanto, isso não torna o ajuste "inviável" — existem métodos alternativos, como a regressão ridge (que adiciona um termo de penalização) e o LASSO (que realiza seleção de variáveis), que conseguem estimar os coeficientes mesmo quando . Além disso, mesmo quando é grande mas menor que , o cálculo é perfeitamente viável, embora o modelo possa sofrer de sobreajuste e multicolinearidade.
A pegadinha da banca está em afirmar que a alta dimensionalidade torna o cálculo "inviável", quando na verdade o que ocorre é que os mínimos quadrados ordinários podem não ter solução única (quando ), mas existem técnicas de regularização que resolvem o problema. O candidato que conhece apenas a fórmula clássica dos mínimos quadrados pode ser levado a concordar com a afirmativa, mas o conhecimento de métodos modernos de estimação mostra que ela é falsa.
Caso | Premissa do enunciado | Realidade técnica | Resultado |
|---|---|---|---|
1 | Alta dimensionalidade torna o cálculo inviável | MQO pode não ter solução única quando p > n | Afirmação falsa |
2 | Não é possível ajustar regressão linear | Técnicas de regularização (ridge, LASSO) permitem ajuste | Afirmação falsa |
3 | Cálculo da matriz de estimação é sempre impossível | Matriz XᵀX invertível se posto coluna completo; senão, há alternativas | Afirmação falsa |
A afirmativa está errada. A regressão linear pode ser ajustada a dados de alta dimensionalidade. O que ocorre é que, quando o número de preditoras é maior que o número de observações , a matriz não é invertível, e os mínimos quadrados ordinários não produzem uma solução única. No entanto, existem métodos de regularização (ridge, LASSO, elastic net) que permitem o ajuste mesmo nesses casos, adicionando uma penalização aos coeficientes. Além disso, a alta dimensionalidade não torna o cálculo "inviável" do ponto de vista computacional — apenas exige técnicas mais sofisticadas. Portanto, a afirmativa é falsa.
Quando a questão falar em "alta dimensionalidade" e "inviável", lembre-se: a regressão linear pode ser ajustada, mas com técnicas de regularização. A banca adora afirmar que algo é "impossível" quando na verdade é apenas "mais complexo".
Gabarito: ERRADO.
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