Questão de Estatística — Modelos lineares — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce198801
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista - Área: Métodos Quantitativos Avançados - Subárea: Métodos Quantitativos
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A afirmação é falsa porque a linearização por transformação logarítmica ou exponencial não é aplicável a qualquer modelo não linear — ela só funciona para uma classe específica de modelos que são linearizáveis (como os modelos exponenciais, logarítmicos e de potência). Modelos intrinsecamente não lineares, como (com erro aditivo) ou , não podem ser convertidos em modelos lineares por simples transformação das variáveis.
A distinção central está entre não linearidade nas variáveis e não linearidade nos parâmetros. A transformação logarítmica ou exponencial atua sobre as variáveis (por exemplo, ), mas se o modelo for não linear nos parâmetros — como — a transformação não resolve, pois o termo de erro continua entrando de forma aditiva e não logaritmizável. Nesses casos, é necessário usar regressão não linear (estimada por mínimos quadrados não lineares ou máxima verossimilhança), e não uma simples transformação.
A banca explora exatamente essa generalização indevida: o candidato que conhece os exemplos clássicos de linearização (modelo exponencial , modelo de potência ) pode ser levado a aceitar a afirmação como verdadeira para todo modelo não linear. Mas a palavra "qualquer" é o termo que derruba a assertiva — basta um contraexemplo de modelo intrinsecamente não linear para invalidá-la.
A banca usa o termo "qualquer" para generalizar uma técnica que só se aplica a uma classe restrita de modelos. O candidato que memorizou os exemplos clássicos de linearização (exponencial, log-log) tende a marcar "certo", mas a existência de modelos intrinsecamente não lineares — como — torna a afirmação falsa. Fique atento a palavras como "qualquer", "sempre" e "todo" em questões de estatística: elas costumam sinalizar uma generalização indevida.
Caso | Tipo de modelo | Transformação logarítmica/exponencial | Resultado |
|---|---|---|---|
1 | Não linear nas variáveis (ex.: (Y = \beta_0 X^{\beta_1})) | Aplicável | Linearizável |
2 | Não linear nos parâmetros (ex.: (Y = \beta_1 e^{\beta_2 X} + \varepsilon)) | Não aplicável (erro aditivo não logaritmizável) | Não linearizável |
3 | Afirmação "qualquer modelo" | Generalização indevida | Falsa (contraexemplo no Caso 2) |
A alternativa E (Errado) é a resposta correta, pois a afirmação é falsa. A linearização por transformação logarítmica ou exponencial não possibilita a transformação de qualquer modelo não linear em linear. Ela só é válida para modelos linearizáveis, ou seja, aqueles em que a não linearidade está nas variáveis e não nos parâmetros. Modelos intrinsecamente não lineares (não linearizáveis) exigem métodos específicos de estimação, como mínimos quadrados não lineares.
A alternativa C (Certo) é incorreta, pois afirma que a linearização é possível para qualquer modelo não linear. Isso é uma generalização indevida: existem modelos não lineares que não podem ser linearizados por transformação simples, como os que apresentam erro aditivo em uma função exponencial. A banca troca a regra (aplicável a uma classe específica) pela exceção (aplicável a todos), o que torna a assertiva falsa.
Gabarito: letra E
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