Questão de Nutrição — Dietoterapia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce199469
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador – Área: Ciência e Tecnologia de Alimentos – Subárea: Ciência de Alimentos
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
✅ CERTO. A afirmação está correta: compostos bioativos de origem vegetal, como flavonoides e polifenóis, podem modular mecanismos epigenéticos — incluindo metilação do DNA e modificações de histonas — e, assim, contribuir para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como câncer e doenças cardiovasculares. Essa é uma premissa central da nutrigenômica, que estuda a interação entre nutrientes e compostos bioativos com o genoma.
A nutrigenômica é o campo da ciência que investiga como os nutrientes e compostos bioativos dos alimentos influenciam a expressão gênica, sem alterar a sequência do DNA. Um dos mecanismos mais estudados é a epigenética, que envolve modificações químicas no DNA e nas proteínas associadas a ele (histonas), capazes de ligar ou desligar genes. A metilação do DNA, por exemplo, é um processo em que grupos metil são adicionados a certas regiões do DNA, geralmente reprimindo a expressão gênica. Já as modificações de histonas (como acetilação, metilação e fosforilação) alteram a estrutura da cromatina, influenciando a acessibilidade dos genes à maquinaria de transcrição.
Compostos bioativos como flavonoides (presentes em frutas, vegetais, chá e cacau) e polifenóis (encontrados em uvas, vinho tinto, azeite e nozes) têm demonstrado capacidade de modular essas marcas epigenéticas. Por exemplo, a quercetina e o resveratrol podem influenciar a atividade de enzimas que adicionam ou removem grupos metil no DNA (DNA metiltransferases e desmetilases) e enzimas que modificam histonas (histona acetiltransferases e desacetilases). Essas modulações podem ativar genes supressores de tumor ou inativar genes pró-inflamatórios, contribuindo para a prevenção de doenças como câncer e doenças cardiovasculares.
A relevância dessa interação é evidenciada por estudos epidemiológicos, como os da "Fome Holandesa" (Dutch Famine de 1944-1945), que mostraram que a desnutrição em períodos críticos do desenvolvimento pode deixar marcas epigenéticas permanentes, aumentando o risco de DCNT na vida adulta. Isso demonstra que o ambiente nutricional, incluindo a presença de compostos bioativos, pode moldar o epigenoma e influenciar o risco de doenças crônicas.
É importante distinguir nutrigenômica de nutrigenética: enquanto a nutrigenômica estuda como os nutrientes afetam a expressão gênica (incluindo mecanismos epigenéticos), a nutrigenética estuda como variações genéticas individuais (polimorfismos) influenciam a resposta aos nutrientes. A questão aborda especificamente a nutrigenômica, focando na modulação epigenética por compostos bioativos.
A banca explora aqui um conceito consolidado na literatura científica: a epigenética como ponte entre dieta e prevenção de doenças. O candidato pode confundir com a ideia de que compostos bioativos alteram diretamente a sequência do DNA, o que não é verdade — a modulação é epigenética, ou seja, na expressão gênica, não na sequência genética. Essa distinção é crucial para acertar a questão.
A afirmação está correta porque descreve com precisão o papel dos compostos bioativos na modulação epigenética. Flavonoides e polifenóis são reconhecidos por sua capacidade de influenciar a metilação do DNA e as modificações de histonas, mecanismos que podem alterar a expressão de genes relacionados a processos inflamatórios, proliferação celular e apoptose — todos relevantes na prevenção de câncer e doenças cardiovasculares. A literatura científica, incluindo estudos sobre a Fome Holandesa, reforça que fatores nutricionais podem deixar marcas epigenéticas duradouras, influenciando o risco de DCNT. Portanto, a assertiva está em conformidade com os princípios da nutrigenômica.
Gabarito: C (Certo).
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