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Questão de Nutrição — Tecnologia de Alimentos — CESPE / CEBRASPE 2025

NutriçãoTecnologia de Alimentos
Código
ce199480
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador – Área: Ciência e Tecnologia de Alimentos – Subárea: Ciência de Alimentos
A conservação da qualidade pós-colheita de frutos e hortaliças é um dos maiores desafios enfrentados pela cadeia de suprimentos agrícolas. Esses produtos, altamente perecíveis, representam uma parcela significativa das perdas alimentares globais, estimada em torno de 40% para frutas e hortaliças. Umidade, respiração acelerada, danos físicos no transporte e armazenamento, perda de água, danos causados pelo frio e contaminação microbiana são fatores que contribuem para o desperdício. Considerando aspectos diversos pertinentes aos tópicos abordados no texto precedente, julgue o item a seguir.O uso de tecnologias de DNA recombinante pode controlar a produção de etileno, hormônio responsável pela ativação de diversas vias envolvidas no amadurecimento de frutos, e aumentar o período de pós-colheita, diminuindo o desperdício.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Biotecnologia aplicada à conservação pós-colheita de frutos e hortaliças

CERTO. A afirmação está correta: as tecnologias de DNA recombinante permitem manipular geneticamente a produção de etileno — hormônio vegetal que desencadeia o amadurecimento —, retardando esse processo e, consequentemente, prolongando a vida útil pós-colheita de frutos e hortaliças, o que reduz perdas e desperdícios. Essa é uma aplicação consolidada da biotecnologia moderna, amplamente estudada em frutos como tomate, melão e banana.

O etileno é um hormônio gasoso produzido pelas plantas que atua como sinalizador para uma série de mudanças fisiológicas e bioquímicas associadas ao amadurecimento: degradação da clorofila (mudança de cor), hidrólise de amido em açúcares (aumento da doçura), solubilização de pectinas (amolecimento da polpa), produção de compostos voláteis (aroma) e aumento da respiração. Em frutos climatéricos — como banana, tomate, maçã e abacate —, há um pico de produção de etileno e de respiração após a colheita, o que acelera a senescência e limita o tempo de armazenamento.

A biotecnologia atua exatamente nesse ponto. Por meio da engenharia genética, é possível:

  • Reduzir a síntese de etileno: silenciando (por RNA de interferência ou antisense) os genes que codificam as enzimas-chave da via biossintética — a ACC sintase (ACS) e a ACC oxidase (ACO). O exemplo clássico é o tomate 'Flavr Savr', desenvolvido na década de 1990, e outros tomates transgênicos com amadurecimento retardado.

  • Bloquear a percepção do etileno: introduzindo genes que codificam receptores de etileno mutados (como o gene etr1-1 de Arabidopsis), que não sinalizam a resposta ao hormônio, mantendo o fruto verde por mais tempo.

  • Degradar o etileno: expressando enzimas como a ACC desaminase, que converte o ACC (precursor do etileno) em outro composto, reduzindo a disponibilidade do hormônio.

O resultado prático é um fruto que amadurece mais lentamente, permitindo colheita em estágio mais avançado (com melhor sabor e valor nutricional), maior tolerância ao transporte e armazenamento, e redução das perdas pós-colheita — que, como o texto aponta, chegam a cerca de 40% para frutas e hortaliças. É importante destacar que essa é uma estratégia complementar a outras técnicas de conservação, como refrigeração, atmosfera controlada e uso de inibidores químicos (ex.: 1-MCP), mas com a vantagem de ser uma solução genética, intrínseca ao produto.

A pegadinha que a banca poderia explorar seria inverter a lógica: afirmar que a tecnologia de DNA recombinante aumenta a produção de etileno para acelerar o amadurecimento — o que seria o oposto do objetivo de conservação. Aqui, o enunciado está correto ao dizer que o controle da produção de etileno (no sentido de reduzi-la) aumenta o período pós-colheita. Guarde o par: etileno = amadurecimento → reduzir etileno = prolongar vida útil.

  1. 1Etileno = hormônio do amadurecimento
  2. 2DNA recombinante reduz sua produção
  3. 3Amadurecimento retardado
  4. 4Maior vida útil pós-colheita
  5. 5Menos desperdício
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Item — ✅ Correto ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta por três razões encadeadas:

  1. O etileno é o hormônio do amadurecimento: é ele que ativa as vias metabólicas responsáveis pelas transformações de cor, textura, sabor e aroma nos frutos, especialmente nos climatéricos.

  2. A tecnologia de DNA recombinante permite controlar sua produção: por silenciamento gênico (ACS, ACO) ou por expressão de receptores alterados, é possível reduzir drasticamente a síntese ou a sensibilidade ao etileno.

  3. Reduzir o etileno aumenta a vida pós-colheita: sem o pico de etileno, o amadurecimento é retardado, o fruto permanece viável por mais tempo, e o desperdício diminui.

Não há qualquer erro conceitual ou técnico na afirmação. Ela descreve com precisão uma das aplicações mais promissoras da biotecnologia na cadeia de suprimentos de alimentos perecíveis.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre pós-colheita, lembre-se do papel central do etileno. Se a alternativa falar em "aumentar a produção de etileno" para conservar, está errada — o objetivo é sempre reduzir a produção ou a ação do hormônio. Associe: etileno → amadurecimento → senescência → perda. Qualquer tecnologia que interfira nessa cadeia (genética, refrigeração, atmosfera modificada) busca quebrar esse fluxo.

Gabarito: Certo (C).

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