Resistência vertical e horizontal em plantas
Gabarito: Errado. A afirmativa inverte os conceitos clássicos da fitopatologia: a resistência vertical é a que se quebra facilmente, pois é controlada por um ou poucos genes (monogênica/oligogênica) e atua contra raças específicas do patógeno; já a resistência horizontal é a duradoura, controlada por muitos genes (poligênica) e efetiva contra todas as raças. O enunciado troca exatamente essas características.
A resistência de plantas a doenças é um dos pilares do melhoramento genético e do manejo integrado de doenças. Ela se divide em dois tipos fundamentais, com bases genéticas e comportamentos epidemiológicos opostos. Compreender essa distinção é essencial para o fitopatologista, pois define a estratégia de melhoramento e a expectativa de durabilidade da resistência no campo.
A resistência vertical (também chamada de resistência específica, diferencial ou qualitativa) é condicionada por um gene ou poucos genes de efeito maior — daí os termos monogênica ou oligogênica. Ela atua contra raças específicas do patógeno, seguindo o modelo gene-a-gene de Flor: para cada gene de resistência na planta, existe um gene de avirulência correspondente no patógeno. Essa especificidade é justamente o que a torna frágil: basta o patógeno sofrer uma mutação que altere o gene de avirulência para a resistência ser "quebrada". Por isso, a resistência vertical é facilmente quebrada e tem duração imprevisível, muitas vezes curta.
A resistência horizontal (também chamada de resistência geral, inespecífica ou quantitativa) é condicionada por vários genes de efeito menor — daí os termos oligogênica ou poligênica. Ela atua contra todas as raças do patógeno, reduzindo a taxa de infecção, a esporulação e o progresso da doença. Por não ser específica, o patógeno não a "quebra" facilmente: a resistência horizontal é duradoura e estável, embora confira proteção parcial, nunca total.
A tabela abaixo resume o contraste:
Critério | Resistência Vertical | Resistência Horizontal |
|---|
Base genética | Monogênica/oligogênica (1 a poucos genes) | Poligênica (muitos genes) |
Especificidade | Raças específicas do patógeno | Todas as raças |
Durabilidade | Facilmente quebrada | Duradoura |
Efeito fenotípico | Qualitativo (imune/resistente vs suscetível) | Quantitativo (graus de resistência) |
Herança | Simples, Mendeliana | Complexa, quantitativa |
A pegadinha da banca está exatamente na inversão dessas duas propriedades. O candidato que memoriza os termos sem compreender a lógica acaba aceitando a afirmativa como correta. A dica é associar: vertical = específica = quebradiça; horizontal = geral = durável. Outra forma de lembrar: a resistência vertical é como uma fechadura que só uma chave (raça) abre — se a chave muda, a porta se abre; a horizontal é como uma muralha que dificulta a passagem de qualquer invasor.
No contexto das fruteiras tropicais, essa distinção é crucial: muitas cultivares comerciais de banana, citros e mamão dependem de resistência vertical a doenças como o mal-do-Panamá e a tristeza dos citros, mas a quebra dessa resistência por novas raças do patógeno é um problema recorrente, o que leva os melhoristas a buscar fontes de resistência horizontal mais duráveis.
Guarde a fronteira entre vertical e horizontal: é exatamente nela que a afirmativa se divide — o enunciado trocou os adjetivos "duradoura" e "facilmente quebrada" entre os dois tipos.
Item — ❌ Errado
A afirmativa está errada porque inverte as características. Ela diz que a resistência vertical é duradoura e monogênica, e que a horizontal é facilmente quebrada e poligênica. Na verdade, é o oposto: a resistência vertical (monogênica/oligogênica) é a que se quebra facilmente, enquanto a horizontal (poligênica) é a duradoura. O erro está na troca dos atributos "duradoura" e "facilmente quebrada" entre os dois tipos de resistência.
Gabarito: Errado