A agricultura constitui processos biológicos dinâmicos,
com surgimento de novos desafios bióticos e abióticos
periodicamente, e os impactos nos cultivos certamente estão
relacionados à segurança alimentar dos povos e das sociedades
dependentes
dos
produtos
agrícolas
respectivos.
Mais
recentemente, são preocupação mundial os efeitos já
diagnosticados das mudanças climáticas em curso em nosso
planeta e os potenciais efeitos na agricultura, sendo óbvia a
importância da conservação da diversidade genética dos produtos
ligados à alimentação e à agricultura, o que dá suporte à
necessidade de adaptações via melhoramento genético das
culturas.
Conservação de recursos genéticos vegetais na Embrapa – histórico e perspectivas futuras.
2019 (com adaptações).
Considerando o texto apresentado e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o seguinte item.Algumas áreas do DNA são neutras com respeito a seleção, não evoluindo por meio de seleção natural porque mutações nessas áreas não afetam o fenótipo do organismo.
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GabaritoC — Certo
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DNA neutro e seleção natural
Gabarito: Certo. A afirmativa está correta: existem regiões do DNA que não codificam proteínas nem participam de funções regulatórias, de modo que mutações ali não alteram o fenótipo e, portanto, não são alvo direto da seleção natural — são as chamadas regiões neutras, cuja evolução é governada principalmente pela deriva genética. O texto-base, ao destacar a importância da conservação da diversidade genética e do melhoramento genético, dialoga com esse conceito, pois a variação genética neutra é justamente um dos componentes dessa diversidade.
O conceito central aqui é o de evolução neutra, formulado por Motoo Kimura na década de 1960. A teoria neutra da evolução molecular sustenta que a grande maioria das diferenças no nível do DNA (mutações, polimorfismos) é seletivamente neutra — ou seja, não confere vantagem nem desvantagem adaptativa ao organismo. Isso ocorre porque grande parte do genoma é composta por regiões não codificantes (íntrons, regiões intergênicas, pseudogenes, etc.) ou por mutações sinônimas que não alteram a sequência de aminoácidos da proteína. Nessas regiões, a seleção natural não atua de forma direta, pois não há efeito sobre o fenótipo — a frequência dessas variantes ao longo das gerações é determinada principalmente pela deriva genética (flutuação aleatória) e pelo fluxo gênico.
É importante distinguir: a seleção natural atua sobre o fenótipo, que é o resultado da expressão gênica em interação com o ambiente. Se uma mutação ocorre em uma região do DNA que não influencia o fenótipo (por não codificar proteína, por ser silenciosa, ou por estar em um íntron sem função regulatória conhecida), ela não afeta a aptidão (fitness) do organismo. Consequentemente, a seleção natural não "enxerga" essa mutação — ela não é favorecida nem eliminada por seleção. Isso não significa que essas regiões não evoluam; elas evoluem, mas por outros mecanismos, principalmente deriva genética. Um exemplo clássico: os íntrons e as regiões intergênicas acumulam mutações em taxas relativamente constantes ao longo do tempo, o que os torna úteis como "relógios moleculares" para estimar tempos de divergência evolutiva.
A pegadinha que a banca poderia explorar — e que não está presente aqui — seria afirmar que "regiões neutras não evoluem de forma alguma". A afirmativa do enunciado é precisa ao dizer que elas "não evoluem por meio de seleção natural", o que é correto: elas evoluem, mas por deriva genética, não por seleção. Outra confusão possível seria pensar que toda mutação em região codificante é neutra, o que não é verdade — muitas alteram a proteína e o fenótipo, sendo alvo da seleção. O texto-base, ao mencionar a necessidade de adaptação via melhoramento genético, reforça justamente a importância de compreender quais variações genéticas são funcionais (sujeitas à seleção) e quais são neutras (reservatório de diversidade).
Guarde o critério decisivo: se a mutação não afeta o fenótipo, a seleção natural não atua diretamente sobre ela — é exatamente essa relação entre genótipo, fenótipo e seleção que a afirmativa explora.
Regiões neutras do DNA: Mutações não afetam o fenótipo (Não codificam proteínas, Mutações sinônimas); Seleção natural não atua (Não há efeito na fitness); Evoluem por deriva genética (Flutuação aleatória, Relógio molecular)
Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta. Ela descreve com precisão o conceito de regiões neutras do DNA: áreas que não afetam o fenótipo quando sofrem mutação e, por isso, não são submetidas diretamente à seleção natural. A evolução dessas regiões ocorre principalmente por deriva genética, um mecanismo aleatório, e não por seleção. O texto-base, ao tratar da conservação da diversidade genética e do melhoramento genético, contextualiza a importância de se compreender a variação genética — incluindo a variação neutra, que compõe o pool genético das espécies cultivadas.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, desconfie de afirmações que usam termos absolutos como "não evoluem" ou "nunca são afetadas". A afirmativa correta usa a expressão "não evoluem por meio de seleção natural" — ou seja, reconhece que evoluem, mas por outro mecanismo (deriva genética). Se a banca trocar "por meio de seleção natural" por "não evoluem" simplesmente, a afirmativa se torna falsa. Fique atento a essa sutileza.