A agricultura constitui processos biológicos dinâmicos,
com surgimento de novos desafios bióticos e abióticos
periodicamente, e os impactos nos cultivos certamente estão
relacionados à segurança alimentar dos povos e das sociedades
dependentes
dos
produtos
agrícolas
respectivos.
Mais
recentemente, são preocupação mundial os efeitos já
diagnosticados das mudanças climáticas em curso em nosso
planeta e os potenciais efeitos na agricultura, sendo óbvia a
importância da conservação da diversidade genética dos produtos
ligados à alimentação e à agricultura, o que dá suporte à
necessidade de adaptações via melhoramento genético das
culturas.
Conservação de recursos genéticos vegetais na Embrapa – histórico e perspectivas futuras.
2019 (com adaptações).
Considerando o texto apresentado e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o seguinte item.A utilização de DNA em análise filogenética apresenta maior vantagem, entre os métodos moleculares, na investigação direta da situação fenotípica, pois permite a detecção da variação ao nível de DNA, incluindo-se influências ambientais.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise filogenética e variação genética
Gabarito: Errado. A afirmativa está incorreta porque inverte a relação entre genótipo e fenótipo: a análise de DNA (nível genotípico) não investiga diretamente a situação fenotípica, e justamente por isso não inclui influências ambientais — o fenótipo é o resultado da interação entre genótipo e ambiente, enquanto o DNA revela apenas a variação genética subjacente. A vantagem do DNA na filogenia é justamente acessar a variação genotípica, livre das modificações ambientais que mascaram o fenótipo.
A filogenia é o estudo das relações evolutivas entre organismos, reconstruídas a partir de características que refletem ancestralidade comum. Os métodos moleculares, como a análise de sequências de DNA, revolucionaram esse campo porque permitem comparar diretamente o material genético, que é herdado e relativamente estável ao longo da vida do organismo. O fenótipo, por outro lado, é a expressão observável do genótipo em um dado ambiente — inclui características morfológicas, fisiológicas e comportamentais que sofrem influência direta de fatores ambientais (nutrição, clima, manejo, etc.).
A grande vantagem do DNA em análises filogenéticas é exatamente o oposto do que a afirmativa sugere: ao analisar o DNA, o pesquisador acessa a variação genotípica sem a interferência do ambiente. Isso é crucial porque dois organismos com o mesmo genótipo podem apresentar fenótipos diferentes em ambientes distintos (plasticidade fenotípica), e organismos com genótipos diferentes podem exibir fenótipos semelhantes por convergência adaptativa. Se a filogenia fosse baseada apenas no fenótipo, essas influências ambientais e convergências poderiam levar a conclusões equivocadas sobre parentesco evolutivo.
Na prática, imagine duas plantas da mesma espécie cultivadas em solos de fertilidade distinta: uma apresenta porte alto e folhas grandes (solo rico), a outra porte baixo e folhas pequenas (solo pobre). A análise fenotípica poderia sugerir que são variedades diferentes, mas a análise de DNA revelaria que são geneticamente idênticas — a diferença é puramente ambiental. Em uma análise filogenética, usar o DNA evita exatamente esse tipo de erro, pois a variação genética é o que realmente reflete a história evolutiva.
A pegadinha da banca está na inversão do conceito: ela afirma que o DNA "permite a detecção da variação ao nível de DNA, incluindo-se influências ambientais". Isso é contraditório — o DNA não inclui influências ambientais; ele é a matéria-prima genética que, quando expressa e modulada pelo ambiente, gera o fenótipo. A análise de DNA é vantajosa justamente por ser independente do ambiente, permitindo estudar a variação genética em sua forma mais pura.
Portanto, o item está errado porque: (1) a análise de DNA não investiga diretamente a situação fenotípica — ela investiga o genótipo; (2) a detecção da variação ao nível de DNA não inclui influências ambientais — pelo contrário, exclui-as, o que é sua principal vantagem.
Análise de DNA em filogenia
1Acessa o genótipo
Variação hereditária
Não inclui influências ambientais
2Fenótipo
Resultado da interação genótipo × ambiente
Sofre plasticidade fenotípica
Pode gerar convergência adaptativa
3Vantagem do DNA
Livre de interferência ambiental
Reflete ancestralidade comum
LEVEL · soulevel.com.br
Item — ❌ Errado
A afirmativa comete dois erros conceituais interligados. Primeiro, afirma que a utilização de DNA "apresenta maior vantagem... na investigação direta da situação fenotípica" — isso é falso, pois o DNA fornece informações genotípicas, não fenotípicas. O fenótipo é o resultado da expressão gênica modulada pelo ambiente; para investigá-lo diretamente, seriam necessárias análises de RNA, proteínas ou características morfofisiológicas. Segundo, a afirmativa diz que a detecção da variação ao nível de DNA "inclui influências ambientais" — o oposto é verdadeiro: a variação no DNA é hereditária e não é alterada pelo ambiente durante a vida do organismo (exceto mutações somáticas, que não são o foco da filogenia). A vantagem do DNA na filogenia é justamente acessar a variação genética livre de influências ambientais, o que permite reconstruir relações evolutivas com maior precisão.