Embora a genética quantitativa aplicada na criação animal
tenha levado a uma revolução tecnológica no século passado,
selecionar certas características complexas com base apenas na
criação derivada de pedigree continua sendo um desafio devido à
natureza intrincada da genética animal e dos mecanismos de
desenvolvimento. Com a conclusão de grandes projetos de
sequenciamento de genoma de raças de gado e aves, os métodos
e meios de pesquisa genética de criação de animais evoluíram
gradualmente da criação convencional tradicional para a
integração de várias ciências ômicas.
Hong Li and Xiaojun Liu.
Introductory Chapter: Applications of omics Techniques on livestock genetics and breeding.
DOI: 10.5772/intechopen.113934. (com adaptações).
Tendo o texto precedente como referência, julgue o item que se segue.Ferramentas ômicas, ao serem utilizadas para determinar os genes diferencialmente expressos em um animal, possibilitam o sequenciamento de regiões regulatórias encontradas no genoma.
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Ferramentas ômicas e expressão gênica
❌ ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as ferramentas ômicas utilizadas para determinar genes diferencialmente expressos — como a transcriptômica (RNA-seq) — não possibilitam, por si só, o sequenciamento de regiões regulatórias do genoma. O sequenciamento de regiões regulatórias é atribuição da genômica (sequenciamento do DNA), não da análise de expressão gênica, que opera sobre o RNA transcrito.
Para entender o erro, é preciso distinguir os níveis de análise das ciências ômicas. O termo "ômica" refere-se ao estudo global de um conjunto de moléculas biológicas. As principais são:
Genômica: estuda o genoma completo (DNA), incluindo sequências codificantes e não codificantes, como as regiões regulatórias (promotores, enhancers, silenciadores). O sequenciamento de DNA é a ferramenta central.
Transcriptômica: estuda o transcriptoma, ou seja, o conjunto de RNA mensageiro (mRNA) transcrito em uma célula ou tecido. É a ferramenta clássica para identificar genes diferencialmente expressos (por exemplo, RNA-seq).
Proteômica: estuda o conjunto de proteínas expressas.
Metabolômica: estuda os metabólitos.
A afirmativa mistura esses níveis: ao dizer que as ferramentas ômicas "utilizadas para determinar os genes diferencialmente expressos" (portanto, transcriptômica) "possibilitam o sequenciamento de regiões regulatórias" (portanto, genômica), ela promove uma confusão entre transcriptoma e genoma. A transcriptômica não sequencia o DNA genômico; ela sequencia cDNA (DNA complementar) derivado do RNA, o que não abrange as regiões regulatórias do genoma, que estão no DNA.
Na prática, para identificar genes diferencialmente expressos, utiliza-se RNA-seq, que quantifica os níveis de transcritos. Já para sequenciar regiões regulatórias, seria necessário sequenciar o DNA genômico (por exemplo, com sequenciamento de genoma completo ou de regiões específicas). São abordagens distintas, com objetivos e materiais de partida diferentes.
A pegadinha da banca está em associar indevidamente a análise de expressão gênica ao sequenciamento de regiões regulatórias, quando, na verdade, a expressão gênica é medida pelo RNA, e as regiões regulatórias são sequências de DNA. O texto-base menciona a integração de várias ciências ômicas, mas não afirma que uma única ferramenta (a de expressão) realiza o sequenciamento de regiões regulatórias.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre transcriptômica e genômica. O candidato pode pensar que "ferramentas ômicas" englobam tudo, mas a afirmativa especifica a função (determinar genes diferencialmente expressos), que é típica da transcriptômica, e atribui a ela uma capacidade da genômica (sequenciar regiões regulatórias). Lembre-se: expressão gênica = RNA; sequenciamento de regiões regulatórias = DNA.
A afirmativa está errada porque inverte a relação entre as ferramentas. As ferramentas que determinam genes diferencialmente expressos (transcriptômica) analisam o RNA, não o DNA genômico. O sequenciamento de regiões regulatórias é uma aplicação da genômica, que estuda o genoma. Portanto, a afirmativa atribui à transcriptômica uma função que pertence à genômica.