Questão de Farmácia — Farmacologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce202105
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- EMBRAPA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador – Área: Nanotecnologia – Subárea: Nanotecnologia
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). As vacinas de RNA mensageiro contra a covid-19 (Pfizer-BioNTech e Moderna) são nanopartículas lipídicas — estruturas com um núcleo aquoso contendo o RNA, envolvido por uma bicamada lipídica — e não "nanoestruturas lipossomais formadas por uma estrutura de núcleo sólido com um tensoativo no seu exterior". O erro está em descrever o núcleo como sólido e a superfície como um simples tensoativo, quando na realidade o núcleo é aquoso e a partícula é estabilizada por lipídios funcionais (incluindo lipídios ionizáveis e PEG-lipídios).
A nanotecnologia farmacêutica desenvolveu sistemas de liberação de fármacos em escala nanométrica (1 a 1000 nm) para melhorar a farmacocinética, a biodistribuição e a segurança dos medicamentos. No caso específico das vacinas de RNA mensageiro, o desafio era proteger o RNA — uma molécula extremamente frágil, degradada rapidamente por nucleases — e entregá-lo ao citoplasma das células para que ocorra a tradução da proteína do antígeno (a proteína Spike do SARS-CoV-2).
A solução adotada foi a nanopartícula lipídica (LNP, do inglês lipid nanoparticle), que não é um lipossoma clássico nem uma nanoemulsão. A LNP é formada por:
Núcleo aquoso (não sólido) que encapsula o RNA mensageiro, protegendo-o da degradação enzimática;
Bicamada lipídica composta por quatro tipos de lipídios: (1) lipídio ionizável (como o DLin-MC3-DMA ou o ALC-0315), que em pH fisiológico fica neutro, mas no endossomo ácido se protona e facilita a liberação do RNA no citoplasma; (2) fosfolipídio de suporte (como a DSPC), que confere estabilidade estrutural à bicamada; (3) colesterol, que modula a fluidez da membrana; e (4) PEG-lipídio (polietilenoglicol), que forma uma camada hidrofílica externa, reduz a opsonização e aumenta o tempo de circulação.
A confusão entre "lipossoma" e "nanopartícula lipídica" é comum e explorada pela banca. O lipossoma clássico é uma vesícula esférica com núcleo aquoso envolvido por uma ou mais bicamadas lipídicas, usado para encapsular fármacos hidrofílicos no interior e lipofílicos na membrana. A LNP, embora também seja lipídica, tem composição e estrutura interna diferentes: o RNA fica complexado com os lipídios ionizáveis no interior, formando um núcleo mais denso, mas ainda assim não sólido — é um núcleo aquoso/amorfo. Além disso, a superfície da LNP não é apenas um "tensoativo", mas uma camada de PEG-lipídios que estabiliza a partícula e modula sua interação com o sistema imunológico.
A pegadinha da questão está em descrever a estrutura como "núcleo sólido com tensoativo no exterior" — essa descrição se aproxima mais de uma nanocápsula polimérica ou de uma nanoemulsão, onde há um núcleo oleoso (sólido ou líquido) estabilizado por um tensoativo na interface. Nas vacinas de RNA, o núcleo é aquoso e a estabilização é feita por lipídios, não por um tensoativo simples. A banca mistura conceitos de diferentes sistemas nanoestruturados para induzir o erro.
A banca descreve a LNP como "núcleo sólido com tensoativo no exterior", misturando características de nanocápsulas (núcleo oleoso/sólido) e nanoemulsões (estabilizadas por tensoativo) com a estrutura real das vacinas de RNA. O candidato que decora "lipossomo = núcleo aquoso" pode até acertar, mas quem confunde LNP com lipossoma clássico ou com nanocápsula cai na armadilha. Lembre-se: LNP ≠ lipossoma clássico ≠ nanocápsula — cada um tem composição e estrutura próprias.
A afirmação está errada porque descreve as vacinas de RNA como "nanoestruturas lipossomais formadas por uma estrutura de núcleo sólido com um tensoativo no seu exterior". Na realidade, as vacinas de mRNA da covid-19 são nanopartículas lipídicas (LNPs) com as seguintes características:
Núcleo aquoso (não sólido) contendo o RNA mensageiro;
Bicamada lipídica composta por lipídio ionizável, fosfolipídio, colesterol e PEG-lipídio;
Superfície com PEG-lipídios (não um simples tensoativo) que conferem estabilidade e stealth.
A descrição de "núcleo sólido com tensoativo" se aproxima de outros sistemas nanoestruturados, como nanocápsulas poliméricas (núcleo oleoso/sólido) ou nanoemulsões (estabilizadas por tensoativo), mas não corresponde à estrutura das vacinas de RNA.
Gabarito: Errado (E).
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