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Questão de Farmácia — Biologia Molecular e Biotecnologia — CESPE / CEBRASPE 2025

FarmáciaBiologia Molecular e Biotecnologia
Código
ce202410
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
EMBRAPA
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico – Área: Laboratório E Campos Experimentais – Subárea: Laboratório

        Um laboratório de biologia molecular está realizando um projeto para identificar a expressão de genes específicos em tecidos vegetais sob diferentes condições de estresse. As amostras de tecido foliar precisam ser coletadas em campo, transportadas por período prolongado ao laboratório e processadas para a extração de RNA de alta qualidade, preservando-se sua integridade. Além disso, é necessário preparar um tampão de lise e assegurar que todos os materiais utilizados estejam devidamente esterilizados para evitar contaminação. A qualidade do RNA extraído será fundamental para os resultados subsequentes das análises de expressão gênica.

A partir das informações apresentadas nessa situação hipotética, julgue o item a seguir.Para se transportarem as amostras de tecido foliar até o laboratório, o transporte em gelo seco ou nitrogênio líquido é adequado para se evitar a degradação de RNA.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transporte de amostras de tecido vegetal para extração de RNA

Gabarito: Certo (C). O transporte de amostras de tecido foliar em gelo seco ou nitrogênio líquido é adequado para evitar a degradação do RNA, pois essas condições criogênicas inativam as RNAses (ribonucleases), enzimas que degradam rapidamente o RNA, e preservam a integridade do ácido nucleico até a extração. Essa é uma prática padrão em biologia molecular, conforme as boas práticas de coleta e transporte de amostras biológicas para análises moleculares.

O RNA é uma molécula intrinsecamente instável. Diferentemente do DNA, que é uma dupla hélice relativamente resistente, o RNA é geralmente de fita simples e extremamente suscetível à degradação por RNAses, enzimas ubíquas presentes em todos os tecidos e também no ambiente (inclusive em mãos e superfícies). Quando uma amostra de tecido é coletada, os processos celulares não cessam imediatamente; as RNAses endógenas começam a degradar o RNA mensageiro (mRNA) e outros RNAs, comprometendo a análise de expressão gênica. Por isso, a preservação da integridade do RNA é um dos maiores desafios da fase pré-analítica em estudos de transcriptômica.

A estratégia central para evitar essa degradação é reduzir drasticamente a atividade enzimática, o que se consegue com o congelamento rápido da amostra. O gelo seco (CO₂ sólido, aproximadamente -78,5 °C) e o nitrogênio líquido (aproximadamente -196 °C) são os meios mais eficazes para esse fim, pois promovem um congelamento ultrarrápido, que minimiza a formação de cristais de gelo que poderiam danificar as células e, principalmente, inativa as RNAses. Alternativamente, existem soluções estabilizadoras de RNA (como o RNAlater) que permeiam o tecido e precipitam as RNAses, permitindo o transporte em temperatura ambiente ou refrigerado. No entanto, para o transporte prolongado em campo, o congelamento em gelo seco ou nitrogênio líquido é a abordagem clássica e mais confiável.

Na prática, o procedimento seria: coletar o tecido foliar, rapidamente congelá-lo em nitrogênio líquido (ou diretamente em gelo seco) e transportá-lo em um recipiente apropriado (caixa isotérmica com gelo seco ou botijão criogênico) até o laboratório, onde será armazenado a -80 °C até a extração. Durante a extração, o tecido é macerado na presença de tampão de lise contendo agentes caotrópicos (como guanidina) e inibidores de RNAses, garantindo a obtenção de RNA de alta qualidade. O contexto da questão reforça exatamente essa necessidade: "amostras de tecido foliar precisam ser coletadas em campo, transportadas por período prolongado ao laboratório e processadas para a extração de RNA de alta qualidade, preservando-se sua integridade".

A pegadinha que a banca poderia explorar aqui é a confusão com o transporte de amostras para outros tipos de análise. Por exemplo, para exames de coagulação (como TP e TTPa), o transporte em gelo é contraindicado, pois o frio ativa o fator VII e degrada o fator de von Willebrand. Da mesma forma, para isolamento viral em cultura celular, algumas amostras não devem ser congeladas. No entanto, para extração de RNA, o congelamento é justamente o método de escolha. O candidato que generaliza as regras de transporte de amostras clínicas pode errar ao achar que "nunca se deve congelar" amostras, quando na verdade a regra depende do analito de interesse. Aqui, o analito é o RNA, e o congelamento é protetor.

Guarde o princípio: a escolha do método de transporte depende da estabilidade do analito. Para RNA, o inimigo é a RNAse, e o frio extremo é o aliado. É exatamente esse raciocínio que confirma a afirmativa como correta.

Item — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. O transporte em gelo seco ou nitrogênio líquido é adequado para evitar a degradação do RNA em amostras de tecido foliar. O gelo seco (≈ -78,5 °C) e o nitrogênio líquido (≈ -196 °C) são agentes criogênicos que inativam as RNAses e preservam a integridade do RNA durante o transporte prolongado. Essa prática é amplamente recomendada em protocolos de biologia molecular para coleta e transporte de amostras destinadas à análise de expressão gênica, como descrito no texto-base, que enfatiza a necessidade de "preservar a integridade" do RNA. O congelamento rápido é a estratégia mais eficaz para minimizar a atividade enzimática e garantir a qualidade do RNA extraído.

Gabarito: Certo (C).

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