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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce203617
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Trabalho
Acerca da síndrome metabólica, julgue o item subsequente.Em caso de dosagens de CK 10 vezes acima do limite superior da normalidade ou em presença de mialgia ou de elevação das aminotransferases acima de 3 vezes o limite superior da normalidade, o tratamento farmacológico com estatinas no tratamento hipolipemiante deverá ser suspenso.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome metabólica e segurança das estatinas

Gabarito: letra C (CERTO). A afirmativa está correta: a suspensão do tratamento com estatinas é indicada quando há elevação da CK (creatinoquinase) acima de 10 vezes o limite superior da normalidade (LSN), na presença de mialgia (dor muscular) ou quando as aminotransferases (AST/TGO e ALT/TGP) ultrapassam 3 vezes o LSN. Esses são os critérios clássicos de intolerância e toxicidade que justificam a interrupção da terapia hipolipemiante, conforme as diretrizes de dislipidemias.

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco cardiovascular — obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia (triglicerídeos elevados e HDL baixo) e resistência à insulina — que frequentemente coexistem e aumentam o risco de eventos ateroscleróticos. O tratamento farmacológico da dislipidemia nesses pacientes baseia-se principalmente no uso de estatinas, que reduzem o LDL-c e previnem eventos cardiovasculares maiores. No entanto, as estatinas podem causar efeitos adversos, sendo os mais relevantes a miopatia (dor, fraqueza ou câimbras musculares) e a hepatotoxicidade (elevação das transaminases).

A monitorização da segurança do tratamento com estatinas envolve a dosagem de CK e de enzimas hepáticas (ALT e AST). A diretriz brasileira de dislipidemias estabelece critérios objetivos para a suspensão da estatina: elevação da CK acima de 10 vezes o LSN, presença de mialgia (especialmente se intensa ou incapacitante) ou aumento das aminotransferases acima de 3 vezes o LSN. Esses critérios são baseados em evidências de que tais alterações indicam risco aumentado de miopatia grave (como rabdomiólise) ou hepatotoxicidade, condições que podem ser graves e até fatais.

Na prática clínica, a conduta diante de sintomas musculares ou alterações laboratoriais deve ser individualizada. Por exemplo, um paciente com dor muscular leve e CK normal pode continuar a estatina, com reavaliação periódica. Já um paciente com dor muscular intensa e CK elevada acima de 10 vezes o LSN deve ter a estatina suspensa imediatamente, com investigação de causas secundárias e consideração de terapias alternativas (como ezetimiba ou ácido bempedoico). A suspensão não é definitiva em todos os casos: após a resolução dos sintomas e normalização das enzimas, pode-se tentar reintroduzir a estatina em dose menor ou trocar por outra de menor potência.

É importante distinguir os critérios de suspensão dos critérios de monitorização. A dosagem rotineira de CK e enzimas hepáticas em pacientes assintomáticos não é recomendada, exceto em situações específicas (início do tratamento, aumento de dose ou introdução de fármacos que interagem). A dosagem deve ser feita quando há sintomas musculares ou sinais de hepatotoxicidade. Essa distinção é crucial para evitar suspensões desnecessárias e para identificar precocemente os casos que realmente requerem interrupção.

A pegadinha que a banca explora neste tema é a confusão entre os critérios de suspensão e os critérios de monitorização ou de redução de dose. Por exemplo, elevações de CK entre 3 e 7 vezes o LSN com sintomas toleráveis podem ser manejadas com redução de dose, não com suspensão. Já a presença de mialgia isolada, sem elevação de CK, pode ser avaliada com redução de dose ou troca de estatina, mas a suspensão é reservada para casos de sintomas intoleráveis ou CK muito elevada. A questão cobra exatamente o conhecimento dos valores-limite que indicam suspensão, que são: CK > 10x LSN, mialgia (em contexto de suspeita de SMRE) e aminotransferases > 3x LSN.

Guarde esses três critérios como o tripé da suspensão de estatinas: eles são o ponto central que a banca cobra e que separa a conduta correta da incorreta.

Item — ✅ Correto ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta porque reproduz fielmente os critérios de suspensão da estatina estabelecidos nas diretrizes de dislipidemias. A elevação da CK acima de 10 vezes o LSN é um marcador de miopatia grave, com risco de rabdomiólise, e a suspensão é mandatória. A presença de mialgia, especialmente se intensa ou incapacitante, também indica intolerância à estatina e justifica a interrupção. A elevação das aminotransferases acima de 3 vezes o LSN é o critério para hepatotoxicidade, e a suspensão é recomendada para evitar lesão hepática progressiva.

Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (SBC):

"Mialgias durante o uso dos medicamentos, elevação de creatinofosfoquinase (CPK) 10 vezes acima do valor normal, aumento de aminotransferases/transaminases (AST-TGO/ALT-TGP) 3 vezes acima do valor normal ou o surgimento de contraindicações determinarão sua suspensão."

Esse trecho confirma exatamente o que a questão afirma: os três critérios (CK > 10x LSN, mialgia e aminotransferases > 3x LSN) são condições que determinam a suspensão do tratamento. A banca cobrou a literalidade da diretriz, e a afirmativa está em total conformidade.

Gabarito: letra C (CERTO).

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