Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce203621
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- FUB
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Trabalho
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, embora bronquiectasias e asma compartilhem inflamação das vias aéreas e sintomas como dispneia, a fisiopatologia e o tratamento de manutenção são distintos: nas bronquiectasias, o uso rotineiro de corticoide inalatório não é recomendado como regra, sendo reservado para fenótipos específicos (ex.: aspergilose broncopulmonar alérgica ou asma sobreposta), e os broncodilatadores são indicados apenas em casos selecionados, como na presença de hiper-responsividade brônquica ou obstrução ao fluxo aéreo. A base do tratamento é o manejo da secreção e o controle da infecção, não a supressão inflamatória crônica típica da asma.
A bronquiectasia é uma doença estrutural caracterizada por dilatação anormal e permanente dos brônquios, resultante de um ciclo vicioso de infecção e inflamação que danifica a parede brônquica. Diferentemente da asma, em que a inflamação é predominantemente eosinofílica e responsiva a corticoides, nas bronquiectasias a inflamação é principalmente neutrofílica, e o problema central é a falha na depuração mucociliar, levando ao acúmulo de secreções e à colonização bacteriana crônica. Por isso, o tratamento de manutenção foca em técnicas de higiene brônquica (fisioterapia respiratória, drenagem postural, uso de dispositivos de pressão expiratória positiva), no tratamento das exacerbações com antibióticos e, em casos selecionados, no uso de macrolídeos para reduzir a inflamação e a frequência de exacerbações.
O corticoide inalatório, pedra angular do tratamento da asma, não tem papel definido no tratamento de rotina das bronquiectasias. As diretrizes atuais não recomendam seu uso sistemático, pois não há evidência de que reduza exacerbações ou melhore a função pulmonar nessa população, e há risco de efeitos adversos, como pneumonia. Ele pode ser considerado em situações específicas, como na presença de asma concomitante (asma-bronquiectasia sobreposta) ou na aspergilose broncopulmonar alérgica, uma complicação que pode cursar com bronquiectasias centrais. Da mesma forma, os broncodilatadores (β2-agonistas de curta ou longa duração) não são indicados rotineiramente; são reservados para pacientes com evidência de obstrução ao fluxo aéreo reversível ou hiper-responsividade brônquica, que pode coexistir em alguns casos.
A afirmativa da questão comete um erro clássico de generalização: parte de uma semelhança superficial (inflamação e sintomas) para concluir uma identidade de tratamento. É a mesma armadilha que ocorre com a DPOC, que também pode ser confundida com asma, mas tem abordagem terapêutica distinta. A banca explora exatamente essa confusão entre doenças que compartilham sintomas, mas têm fisiopatologias e manejos diferentes. O candidato que conhece os pilares do tratamento de cada doença percebe que a indicação rotineira de corticoide inalatório e broncodilatador é específica da asma, não das bronquiectasias.
Para a prova, o critério decisivo é: na asma, o tratamento de manutenção é anti-inflamatório (corticoide inalatório) + broncodilatador; nas bronquiectasias, o tratamento é de suporte (higiene brônquica) + controle de infecção, com uso de corticoide inalatório e broncodilatador apenas em situações particulares. É essa distinção que separa o certo do errado nesta questão.
A afirmativa está incorreta porque propõe o uso rotineiro de corticoide inalatório e broncodilatadores entre as crises de dispneia em pacientes com bronquiectasias, com base na semelhança fisiopatológica com a asma. Essa analogia é falha: embora ambas as doenças cursem com inflamação das vias aéreas, a natureza da inflamação e o mecanismo da doença são diferentes. Nas bronquiectasias, a inflamação é predominantemente neutrofílica e secundária à infecção crônica, e o tratamento de manutenção não se baseia em corticoide inalatório, que não demonstrou benefício consistente, nem em broncodilatadores, que são reservados para casos com obstrução reversível ou hiper-responsividade brônquica. O manejo padrão envolve fisioterapia respiratória para depuração de secreções, tratamento de exacerbações com antibióticos e, em casos selecionados, macrolídeos. Portanto, a indicação rotineira dessas medicações, como se fosse asma, é errada.
Gabarito: ERRADO
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