Questão de Medicina — Oftalmologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce203623
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- FUB
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Trabalho
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
✅ CERTO. O item descreve com precisão o glaucoma crônico de ângulo aberto, a forma mais comum da doença: dano progressivo e irreversível do nervo óptico, evolução assintomática até fases avançadas, perda inicial da visão periférica e cegueira permanente se não tratado. Essa descrição está alinhada ao que o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Glaucoma estabelece, ao afirmar que a evolução é lenta e principalmente assintomática, exceto no glaucoma agudo, e que o desfecho principal é a cegueira irreversível.
O glaucoma é um grupo de afecções oculares caracterizado por dano progressivo do nervo óptico, que leva à disfunção visual e pode culminar em cegueira. O principal fator de risco é a elevação da pressão intraocular (PIO), embora exista a forma de pressão normal. A doença se apresenta em três formas clínicas principais: aguda, crônica e congênita. A forma crônica, também chamada de glaucoma primário de ângulo aberto, é a mais prevalente e a que o item descreve.
A característica mais traiçoeira do glaucoma crônico é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais. O paciente não percebe a perda visual porque ela começa na periferia do campo visual, uma região que o cérebro "completa" com informações dos dois olhos. A visão central, responsável pela leitura e pelo reconhecimento de faces, só é comprometida nas etapas finais da doença. Quando o paciente finalmente nota o problema, o dano já é extenso e irreversível.
O diagnóstico é feito por meio de tonometria (medição da PIO), análise dos campos visuais (campimetria) e exame oftalmoscópico, que revela a escavação acentuada da papila óptica. O tratamento adequado, conduzido por oftalmologista, pode prevenir a progressão da perda do campo visual. As opções terapêuticas incluem colírios (betabloqueadores, análogos de prostaglandinas, simpatomiméticos, inibidores da anidrase carbônica), procedimentos a laser e cirurgia, reservados para casos não responsivos ao tratamento medicamentoso.
A pegadinha que a banca poderia explorar é a generalização: o item afirma que o glaucoma "não apresenta nenhum sintoma", o que é verdadeiro apenas para a forma crônica. O glaucoma agudo, por exemplo, manifesta-se com dor ocular intensa, olho vermelho, visão turva e náuseas — um quadro emergencial. O candidato que não distingue as formas clínicas pode marcar o item como errado, mas a descrição apresentada é especificamente sobre o glaucoma crônico, a forma mais comum e a que se encaixa perfeitamente na descrição.
A banca descreve o glaucoma crônico, mas o candidato pode confundir com o glaucoma agudo, que é sintomático. A palavra-chave é "perda progressiva" e "visão periférica" — características exclusivas da forma crônica. O glaucoma agudo é súbito, doloroso e com olho vermelho, um quadro completamente diferente.
O item está correto porque descreve fielmente a história natural do glaucoma crônico de ângulo aberto. O PCDT do Glaucoma confirma que "exceto no glaucoma de início súbito, chamado glaucoma agudo, a evolução é lenta e principalmente assintomática" e que o "desfecho principal é a cegueira irreversível". A perda visual começa na periferia do campo visual, poupando a visão central até as fases finais, e o tratamento, embora não reverta o dano já instalado, pode prevenir a progressão. Portanto, a afirmação está em total conformidade com a fisiopatologia e a conduta da doença.
Gabarito: ✅ CERTO.
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