Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205356
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque, embora o DNA mitocondrial (mtDNA) seja amplamente utilizado em filogeografia por suas taxas de mutação mais elevadas, ausência de recombinação e herança materna, a afirmação de que os polimorfismos plastidiais são pouco utilizados é falsa — os marcadores plastidiais (DNA de cloroplasto, cpDNA) são, na verdade, muito utilizados em estudos filogeográficos, especialmente em plantas, onde o cpDNA é herdado predominantemente de forma materna e apresenta variação útil para inferências demográficas e históricas.
A filogeografia é o campo que estuda os princípios e processos que governam a distribuição geográfica de linhagens genéticas, combinando genética populacional e biogeografia. Para isso, utiliza marcadores moleculares com características específicas: alta taxa de mutação (para capturar eventos recentes), ausência de recombinação (para preservar haplótipos) e herança uniparental (para rastrear linhagens). O DNA mitocondrial preenche esses requisitos em animais, sendo o marcador clássico. Em plantas, o DNA plastidial (cloroplasto) desempenha papel análogo: é herdado, na maioria das angiospermas, de forma materna, não sofre recombinação e apresenta taxas de mutação que, embora menores que as do mtDNA animal, são suficientes para estudos filogeográficos. Por isso, tanto o mtDNA quanto o cpDNA são ferramentas centrais — a banca tenta induzir o candidato a acreditar que apenas o mtDNA é útil, o que é um erro conceitual.
A pegadinha está na última parte da afirmativa: "os polimorfismos plastidiais são pouco utilizados". Na prática, os marcadores plastidiais são amplamente utilizados em filogeografia de plantas, sendo frequentemente combinados com marcadores nucleares para obter uma visão mais completa. A literatura especializada (Avise, 2000; e diversos estudos de filogeografia vegetal) demonstra o uso extensivo de cpDNA em inferências sobre refúgios pleistocênicos, expansão de populações e barreiras genéticas. Portanto, a afirmativa erra ao desvalorizar os polimorfismos plastidiais.
A afirmativa contém um erro na parte final: "os polimorfismos plastidiais são pouco utilizados". Na verdade, os polimorfismos plastidiais (cpDNA) são muito utilizados em estudos filogeográficos, especialmente em plantas. O cpDNA apresenta características que o tornam valioso: herança predominantemente materna (na maioria das angiospermas), ausência de recombinação e variação suficiente para estudos populacionais e filogeográficos. Embora a taxa de mutação do cpDNA seja geralmente menor que a do mtDNA animal, ela é adequada para resolver questões filogeográficas em plantas. Portanto, a afirmação de que são "pouco utilizados" é incorreta.
Para questões de filogeografia, lembre-se: em animais, o marcador de escolha é o mtDNA; em plantas, o cpDNA (plastidial) é igualmente importante. A banca frequentemente tenta desqualificar um dos dois — fique atento a termos como "pouco utilizados" ou "não são utilizados", que geralmente sinalizam erro. Compare as características:
Característica | mtDNA (animal) | cpDNA (planta) |
|---|---|---|
Herança | materna | materna (na maioria) |
Recombinação | ausente | ausente |
Taxa de mutação | alta | moderada |
Uso em filogeografia | muito utilizado | muito utilizado |
Gabarito: letra E (ERRADO).
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