Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205360
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E (ERRADO). O item inverte o papel do grupo externo na análise filogenética: ele não é um táxon "muito distante" do grupo estudado, mas sim um táxon próximo o suficiente para servir de referência de comparação — e os estados de caracteres compartilhados entre o grupo externo e o grupo interno são considerados primitivos (plesiomorfias), não derivados (apomorfias).
A filogenética busca reconstruir as relações de parentesco evolutivo entre os organismos. Para isso, os cientistas comparam características (morfológicas, moleculares etc.) entre os táxons de interesse — o chamado grupo interno — e um ou mais táxons de referência, o grupo externo. A função do grupo externo é justamente permitir a polarização dos caracteres: ao comparar o grupo interno com um táxon que está fora dele, mas que compartilha um ancestral comum mais antigo, é possível inferir quais estados de caráter são primitivos (presentes no ancestral comum de todos) e quais são derivados (novidades evolutivas que surgiram dentro do grupo interno).
O erro central do item está em duas afirmações interligadas:
"táxons muito distantes do grupo estudado" — na prática, o grupo externo deve ser suficientemente próximo do grupo interno para que a comparação seja informativa. Se for muito distante, as diferenças são tantas que fica impossível distinguir o que é primitivo do que é derivado. O ideal é escolher um táxon que seja irmão do grupo interno (ou seja, que compartilhe um ancestral comum exclusivo com ele), mas que não pertença a ele.
"cujos estados de caracteres mais próximos são considerados derivados" — exatamente o oposto. Os estados de caracteres presentes no grupo externo são considerados primitivos (plesiomorfias), pois representam a condição ancestral. Os estados derivados (apomorfias) são aqueles que aparecem apenas no grupo interno, como novidades evolutivas que surgiram após a separação do grupo externo.
O item está errado porque inverte o conceito de grupo externo e o status dos caracteres. O grupo externo não é "muito distante" — ele deve ser próximo o suficiente para servir de referência — e os caracteres compartilhados com ele são primitivos, não derivados. A banca explora exatamente essa confusão clássica entre plesiomorfia e apomorfia.
A banca troca os conceitos de plesiomorfia (caractere primitivo, presente no ancestral comum e no grupo externo) e apomorfia (caractere derivado, novidade evolutiva do grupo interno). O candidato que decora "grupo externo = referência" sem entender o mecanismo de polarização cai na armadilha. Lembre-se: o grupo externo ancora a árvore, mas os caracteres que ele compartilha com o grupo interno são a condição ancestral — o que define o grupo interno são as apomorfias que ele não compartilha com o externo.
Gabarito: E (ERRADO).
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