Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205371
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
✅ CERTO. A plasticidade fenotípica é, de fato, um mecanismo crucial para a sobrevivência das plantas da caatinga em condições de seca, pois permite que um mesmo genótipo produza diferentes fenótipos em resposta a variações ambientais, como a disponibilidade hídrica. Essa capacidade de ajuste fenotípico é uma estratégia adaptativa fundamental em ambientes sazonais e imprevisíveis como a caatinga.
A plasticidade fenotípica é a capacidade de um organismo (com um dado genótipo) alterar seu fenótipo em resposta a mudanças no ambiente. Isso significa que, para um mesmo conjunto de genes, o indivíduo pode expressar características diferentes — morfológicas, fisiológicas ou comportamentais — dependendo das condições ambientais. No contexto da caatinga, bioma marcado por longos períodos de estiagem e chuvas irregulares, as plantas que conseguem ajustar seu metabolismo, sua anatomia foliar, seu padrão de crescimento ou sua fenologia (época de floração e frutificação) em resposta à seca têm maior chance de sobreviver e se reproduzir.
A base genética dessa capacidade está na interação entre genótipo e ambiente. O fenótipo (F) é o resultado da ação do genótipo (G) sobre o ambiente (A), ou seja, F = G + A + (G × A), onde o termo (G × A) representa justamente a plasticidade: a resposta diferencial de genótipos a diferentes ambientes. Em genética quantitativa, a variância fenotípica (Vf) pode ser decomposta em variância genética (Vg), variância ambiental (Ve) e a covariância entre genótipo e ambiente (Cov(G,A)): Vf = Vg + Ve + 2Cov(G,A). Quando genótipo e ambiente são independentes, a covariância é zero e Vf = Vg + Ve. A plasticidade fenotípica está relacionada à capacidade de o genótipo produzir fenótipos distintos em ambientes distintos, o que é evidenciado pela interação G × A.
A afirmativa está correta porque descreve com precisão o conceito de plasticidade fenotípica e sua relevância ecológica para as plantas da caatinga. A banca não tenta confundir; ela apenas cobra o conhecimento direto do conceito e sua aplicação a um bioma específico.
A afirmativa está correta porque define corretamente plasticidade fenotípica: "um mesmo genótipo expressa diferentes fenótipos em resposta a diferentes condições ambientais". Essa é a definição clássica do termo. Além disso, a afirmativa contextualiza corretamente sua importância para a sobrevivência das plantas da caatinga em condições de seca. Em um bioma com estresse hídrico sazonal, a capacidade de ajustar características como abertura estomática, espessura da cutícula, área foliar, taxa de fotossíntese e ciclo de vida é uma vantagem adaptativa crucial. Plantas com alta plasticidade podem, por exemplo, reduzir a perda de água em períodos de seca e retomar o crescimento rapidamente quando as chuvas retornam, aumentando sua aptidão (fitness) em um ambiente imprevisível.
A alternativa E afirma que o item está errado, o que é falso. Não há nenhum erro conceitual na afirmativa. A definição de plasticidade fenotípica está correta, e sua importância para a sobrevivência das plantas da caatinga é amplamente reconhecida na literatura ecológica e evolutiva. Portanto, a alternativa E é incorreta.
Para questões sobre plasticidade fenotípica, lembre-se da fórmula F = G + A + (G × A). O termo (G × A) é a chave: ele representa a resposta diferencial de genótipos a ambientes, ou seja, a própria plasticidade. Se a alternativa mencionar "mesmo genótipo, fenótipos diferentes em ambientes diferentes", está correta. Cuidado com alternativas que confundam plasticidade com adaptação genética (mudança na frequência alélica ao longo de gerações) — são conceitos distintos.
Gabarito: letra C — a afirmativa está CERTA.
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