Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205374
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). O período pleistoceno, com suas oscilações climáticas entre fases secas e úmidas, é fundamental para os estudos filogeográficos da caatinga, pois esses ciclos moldaram a distribuição atual da biodiversidade e deixaram assinaturas genéticas nas populações. A afirmativa inverte completamente o papel desse período, tratando como dispensável aquilo que é um dos pilares da filogeografia do bioma.
A filogeografia é o campo que investiga como os processos históricos — especialmente os eventos geológicos e climáticos — influenciaram a distribuição geográfica atual das linhagens genéticas dentro e entre espécies. No caso da caatinga, o Pleistoceno (aproximadamente 2,6 milhões a 11,7 mil anos atrás) foi um período de intensas flutuações climáticas globais, com ciclos glaciais e interglaciais que alteraram drasticamente os regimes de chuva e a vegetação do Nordeste brasileiro.
Durante os períodos mais secos, a caatinga provavelmente se expandiu, enquanto em fases mais úmidas, florestas úmidas avançaram sobre áreas hoje semiáridas, fragmentando as populações de espécies típicas da caatinga. Esse processo de expansão e retração repetido ao longo do tempo é exatamente o que a filogeografia estuda: ele deixa marcas no DNA das populações, como padrões de diversidade genética, haplótipos compartilhados ou exclusivos, e estimativas de tempo de divergência entre linhagens. Sem considerar o Pleistoceno, seria impossível explicar a estrutura genética atual de muitas espécies da caatinga, como lagartos, aves, roedores e plantas.
A banca explora aqui uma inversão conceitual: o candidato pode achar que, por ser um bioma "antigo" e "estável", sua história evolutiva não depende de eventos climáticos passados. Mas é justamente o oposto — a história climática do Quaternário, com o Pleistoceno como protagonista, é a chave para entender a diversificação e a distribuição da biota da caatinga. Estudos filogeográficos frequentemente usam o chamado "refúgio pleistocênico" como modelo para explicar centros de endemismo e padrões de diversidade genética.
A afirmativa está errada porque declara o período pleistoceno como "dispensável" para os estudos filogeográficos da caatinga. Na realidade, as oscilações climáticas do Pleistoceno são essenciais para esses estudos, pois:
Moldaram a distribuição atual: os ciclos secos e úmidos alternados causaram expansões e retrações da vegetação, fragmentando e reunindo populações repetidamente.
Deixaram assinaturas genéticas: esses eventos históricos são detectáveis no DNA das populações atuais, permitindo reconstruir a história evolutiva.
Explicam padrões de endemismo: a teoria dos refúgios pleistocênicos é amplamente usada para explicar centros de diversidade e endemismo na caatinga.
Portanto, longe de ser dispensável, o Pleistoceno é um dos pilares da filogeografia da caatinga. A banca inverteu o papel do período, transformando um elemento central em algo irrelevante.
A banca explora a inversão do senso comum: o candidato pode pensar que, por ser um bioma "antigo" e "estável", sua história evolutiva independe de eventos climáticos passados. Mas é exatamente o contrário — a história climática do Quaternário, com o Pleistoceno como protagonista, é a chave para entender a diversificação e a distribuição da biota da caatinga. Fique atento: quando a questão afirma que algo é "dispensável" ou "irrelevante" para um campo de estudo, desconfie — quase sempre é a pegadinha da inversão.
Para questões de filogeografia, lembre-se do tripé: eventos históricos (clima, geologia) → padrões genéticos (diversidade, estrutura) → distribuição atual (biogeografia). Se a questão menciona um período geológico (Pleistoceno, Quaternário), pergunte-se: "como isso afetou a distribuição das espécies?" — a resposta quase sempre envolve expansão/retração de habitats e refúgios.
Gabarito: Errado (E).
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