Questão de Geografia — Meio Ambiente na Geografia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205433
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Desertificação
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A agricultura irrigada, quando mal manejada no semiárido, contribui para o agravamento da desertificação, e não para sua redução — o que contraria diretamente a afirmação do item. O problema central é que a irrigação sem manejo adequado provoca salinização dos solos (acúmulo de sais pela evaporação da água) e pode levar ao esgotamento dos recursos hídricos, ambos processos que degradam a terra e intensificam a desertificação, em vez de evitá-la.
A desertificação é a degradação da terra nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de fatores como variações climáticas e atividades humanas. No semiárido brasileiro, as atividades produtivas — especialmente a agricultura irrigada — são apontadas como causas relevantes desse processo. A lógica é a seguinte: a irrigação, se feita sem planejamento, eleva o lençol freático e, com a alta evaporação típica da região, os sais dissolvidos na água se acumulam na superfície do solo, tornando-o salgino e infértil. Além disso, o uso intensivo de água pode esgotar rios e aquíferos, comprometendo a disponibilidade hídrica e acelerando a degradação. Portanto, a cobertura do solo por culturas agrícolas, mencionada no item, não é suficiente para evitar a desertificação — o manejo inadequado da irrigação é justamente um dos vetores do problema.
A banca explora aqui uma inversão de causa e efeito: o candidato pode pensar que "solo coberto por culturas" = proteção contra a desertificação, mas a realidade é que a irrigação mal feita causa salinização e degradação. A cobertura vegetal, por si só, não impede o acúmulo de sais nem o esgotamento hídrico — pelo contrário, a irrigação intensiva acelera esses processos. Além disso, a agricultura irrigada no semiárido frequentemente utiliza água de poços com alto teor de sais, o que agrava ainda mais o problema.
A banca inverte a relação: afirma que a irrigação reduz a desertificação, quando na verdade a irrigação mal manejada é uma das principais causas de desertificação no semiárido. O candidato que pensa apenas na cobertura do solo (efeito positivo) cai na armadilha, esquecendo o efeito negativo da salinização e do esgotamento hídrico. Fique atento: a questão não fala em "manejo adequado" — ela generaliza, e a generalização é falsa.
A afirmação está errada porque a agricultura irrigada, no semiárido, não contribui para a redução da desertificação — pelo contrário, quando mal manejada, é uma das principais causas do processo. A justificativa apresentada no item ("os solos ficam cobertos por culturas agrícolas durante a maior parte do ano") é insuficiente e enganosa: a cobertura vegetal não impede a salinização do solo, que é o principal mecanismo de degradação associado à irrigação em regiões áridas e semiáridas. A irrigação sem drenagem adequada eleva o lençol freático, e a alta evaporação concentra sais na superfície, tornando o solo infértil. Além disso, o uso intensivo de água pode esgotar rios e aquíferos, comprometendo a disponibilidade hídrica e acelerando a degradação. Portanto, a agricultura irrigada, na forma como é praticada em grande parte do semiárido brasileiro, agrava a desertificação, e não a reduz.
Gabarito: ERRADO.
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