Questão de Geografia — Meio Ambiente na Geografia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205450
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Desertificação
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque as escalas temporais de ocorrência das variabilidades climáticas e das mudanças climáticas não se restringem a apenas duas categorias (histórica e contemporânea), e a escala geológica não é desconsiderada — pelo contrário, ela é fundamental para compreender as mudanças climáticas naturais ao longo da história da Terra. A classificação usualmente adotada na climatologia e na geociência reconhece três grandes escalas: a geológica, a histórica e a contemporânea (ou instrumental).
A questão explora um erro conceitual clássico: a tentativa de reduzir a complexidade das escalas temporais a apenas duas categorias e, ainda, descartar a escala geológica sob a justificativa de que seria "primitiva e inalterada". Essa justificativa é duplamente equivocada. Primeiro, porque a escala geológica abrange períodos de milhões a bilhões de anos, nos quais ocorreram drásticas variações climáticas naturais (como as eras glaciais e os períodos interglaciais), evidenciadas por registros em rochas, sedimentos, fósseis e testemunhos de gelo. Segundo, porque o clima da Terra nunca foi estático — ele sempre esteve em transformação, em diferentes ritmos e intensidades.
A escala histórica, por sua vez, refere-se ao período em que há registros escritos e documentais das condições climáticas, abrangendo os últimos milhares de anos. Já a escala contemporânea (ou instrumental) diz respeito ao período em que as medições diretas por instrumentos meteorológicos estão disponíveis, aproximadamente desde o século XIX. Essas três escalas são complementares e essenciais para o estudo das mudanças climáticas, pois cada uma fornece informações em diferentes resoluções temporais.
A banca, ao afirmar que as escalas são "estritamente" duas e que a geológica é "desconsiderada", comete um erro de generalização e de negação de um dos pilares da paleoclimatologia. O candidato que conhece a classificação tripartite identifica imediatamente a falha.
A afirmativa está errada por dois motivos principais:
Redução indevida das escalas: A classificação correta reconhece três escalas temporais principais — geológica, histórica e contemporânea (ou instrumental) — e não apenas duas (histórica e contemporânea). A escala geológica é indispensável para o estudo das mudanças climáticas de longo prazo, como as glaciações.
Falsa premissa sobre a escala geológica: A escala geológica não é "primitiva e inalterada". Pelo contrário, ela registra inúmeras mudanças climáticas naturais ao longo da história da Terra, com variações de temperatura, nível do mar, composição atmosférica e cobertura de gelo. O clima terrestre sempre foi dinâmico, e a escala geológica é a única que permite estudar essas transformações em escalas de milhões de anos.
Portanto, a afirmativa contraria o conhecimento científico consolidado sobre as escalas temporais do clima.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a escala geológica é irrelevante por ser "primitiva e inalterada". Na verdade, é exatamente o oposto: a escala geológica é a que registra as maiores e mais longas variações climáticas naturais, como as eras glaciais. Fique atento a termos como "estritamente", "apenas" ou "desconsiderada" — eles costumam sinalizar uma generalização indevida.
Para fixar, lembre-se da tríade: geológica (milhões de anos, glaciações), histórica (milhares de anos, registros escritos) e contemporânea/instrumental (séculos, medições diretas). Quando a questão mencionar escalas temporais do clima, verifique se as três estão contempladas.
Gabarito: ERRADO.
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