Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
ce205569
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Gestão da Informação e Popularização do Conhecimento
Segundo o projeto MapBiomas, em duas décadas, mais que duplicou a transformação da vegetação natural, a caatinga, em agricultura convencional de sequeiro. Acerca do meio ambiente no semiárido brasileiro, ao desenvolvimento rural sustentável da região e às aplicações dos conhecimentos tradicionais dos povos do semiárido, julgue o item a seguir.A adoção do conceito base zero, que supõe o manejo coletivo de microbacias hidrográficas pela utilização de pedras do local na forma de arcos romanos para ajustar as condições do terreno aos fluxos naturais da água, favorecendo-se sua retenção nas baixadas, é praticamente inviável no semiárido.
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Manejo de microbacias no semiárido: o conceito base zero
Gabarito: ERRADO. A afirmação de que a adoção do conceito base zero é "praticamente inviável no semiárido" contraria a realidade: trata-se de uma técnica de convivência com o semiárido, baseada no manejo coletivo de microbacias com uso de pedras locais em arranjos que favorecem a retenção e infiltração da água das chuvas, sendo justamente uma das estratégias mais adequadas e viáveis para a região. A banca inverte o sentido: o que é inviável é a agricultura convencional de sequeiro, não o manejo sustentável da água.
O conceito base zero, também conhecido como "barragem subterrânea" ou "caixa de pedra", é uma tecnologia social difundida no semiárido brasileiro, especialmente pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que consiste em construir, com pedras do próprio local, estruturas que seguem o fluxo natural da água, permitindo que ela se acumule nas baixadas e infiltre no solo. Essa técnica é amplamente utilizada em programas de convivência com a seca, como o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), e é considerada viável e eficaz para a captação e armazenamento de água da chuva.
A pegadinha da questão está em associar o conceito base zero a algo inviável, quando na verdade ele é uma alternativa sustentável e adaptada às condições climáticas do semiárido. O que o enunciado descreve — manejo coletivo de microbacias, uso de pedras locais, arcos romanos, retenção nas baixadas — é exatamente o oposto da agricultura convencional de sequeiro, que depende de chuvas regulares e degrada o solo. Portanto, a afirmação está incorreta.
Conceito base zero
1O que é
Manejo coletivo de microbacias
Pedras locais em arcos romanos
Retenção nas baixadas
2Natureza
Tecnologia social de convivência com o semiárido
Viável e eficaz
Baixo custo, materiais locais
3Programas
P1MC (Um Milhão de Cisternas)
P1+2 (Uma Terra e Duas Águas)
4Contraste
Agricultura convencional de sequeiro (inviável)
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Item — ❌ ERRADO
A assertiva afirma que o conceito base zero é "praticamente inviável no semiárido". Isso está errado porque essa técnica é, na verdade, uma das principais estratégias de convivência com o semiárido, promovendo a captação e o armazenamento de água da chuva de forma descentralizada e com baixo custo, utilizando materiais locais. O manejo coletivo de microbacias com pedras em arcos romanos é uma prática consolidada em projetos de desenvolvimento rural sustentável na região, como os da ASA, e tem se mostrado viável e eficaz para garantir água para consumo humano e produção agrícola familiar.
A banca explora a confusão entre "inviável" e "viável": o candidato pode pensar que, por ser uma região seca, qualquer técnica de retenção de água seria ineficaz. No entanto, o semiárido tem chuvas concentradas e irregulares, e técnicas como o base zero aproveitam exatamente essa característica, armazenando a água dos períodos chuvosos para uso nos períodos secos. Portanto, a afirmação é falsa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sentido da técnica: ela descreve corretamente o conceito base zero (manejo de microbacias, pedras locais, arcos romanos, retenção nas baixadas) mas o classifica como "inviável", quando na verdade é uma das soluções mais viáveis e recomendadas para o semiárido. O candidato que conhece a técnica percebe a inversão; o que não conhece pode ser induzido a concordar com a afirmação.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre o semiárido, lembre-se: a banca costuma cobrar a diferença entre "combate à seca" (modelo ultrapassado, baseado em grandes obras) e "convivência com o semiárido" (modelo atual, baseado em tecnologias sociais como cisternas, barragens subterrâneas e o conceito base zero). Se a alternativa descreve uma técnica de captação de água da chuva, ela é, em regra, viável e sustentável.