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Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025

BiologiaEcologia e ciências ambientais
Código
ce205571
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Gestão da Informação e Popularização do Conhecimento
Segundo o projeto MapBiomas, em duas décadas, mais que duplicou a transformação da vegetação natural, a caatinga, em agricultura convencional de sequeiro. Acerca do meio ambiente no semiárido brasileiro, ao desenvolvimento rural sustentável da região e às aplicações dos conhecimentos tradicionais dos povos do semiárido, julgue o item a seguir.Rendimentos inferiores de carcaça e de leite por carência proteica podem ser compensados pela rusticidade dos animais adaptados ao semiárido e criados extensivamente na caatinga, acompanhados por procedimentos de saúde animal.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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Pecuária extensiva na caatinga e rusticidade animal

CERTO. A afirmativa está correta: a rusticidade dos animais adaptados ao semiárido, criados extensivamente na caatinga, pode compensar, em parte, os rendimentos inferiores de carcaça e de leite decorrentes da carência proteica da dieta, desde que acompanhada de procedimentos adequados de saúde animal. Essa é uma estratégia reconhecida de desenvolvimento rural sustentável para a região, que valoriza a adaptação dos animais ao bioma e o manejo sanitário como forma de mitigar as limitações nutricionais.

A pecuária no semiárido brasileiro enfrenta um desafio central: a vegetação da caatinga, embora rica em espécies nativas, apresenta baixa disponibilidade de proteína, especialmente na estação seca, quando as plantas perdem as folhas (caducifólia) e o pasto fica escasso e de baixo valor nutritivo. Isso resulta em rebanhos com menor ganho de peso, menor produção de leite e carcaças mais leves. No entanto, os animais adaptados à região — como o gado bovino de origem zebuína (ex.: nelore), caprinos e ovinos — desenvolveram, ao longo de gerações, características de rusticidade: maior resistência ao calor, capacidade de percorrer longas distâncias em busca de alimento e água, aproveitamento eficiente de forragens de baixa qualidade e maior tolerância a períodos de escassez. Essa rusticidade é um patrimônio genético e cultural dos povos do semiárido, que manejam os rebanhos de forma extensiva, soltos na caatinga, aproveitando a vegetação nativa como pastagem natural.

A afirmativa, portanto, não nega a carência proteica — ela reconhece o problema e aponta uma solução viável: a compensação pela rusticidade. Essa compensação, porém, não é automática nem total. Ela depende de um manejo adequado, que inclui a suplementação mineral e proteica em períodos críticos, o controle sanitário (vacinação, vermifugação, combate a ectoparasitas) e o manejo reprodutivo. Sem esses cuidados, a rusticidade sozinha não garante produtividade nem bem-estar animal. A banca, ao afirmar que a compensação é possível "acompanhada por procedimentos de saúde animal", está exatamente reconhecendo essa condição: a rusticidade é um trunfo, mas precisa ser potencializada por boas práticas de manejo sanitário. Isso se alinha ao conceito de desenvolvimento rural sustentável, que busca conciliar a produção agropecuária com a conservação do bioma e a valorização dos conhecimentos tradicionais.

A pegadinha aqui é sutil: o candidato pode achar que a afirmativa é falsa porque "carência proteica não se compensa com rusticidade". Mas a questão não diz que a rusticidade elimina a carência — diz que ela pode compensar os rendimentos inferiores, ou seja, minimizar os prejuízos. E isso é verdade, especialmente quando aliada a procedimentos de saúde animal, que previnem doenças e melhoram a eficiência produtiva. A banca explora a confusão entre "compensar totalmente" e "compensar parcialmente". A palavra "podem" também é importante: indica possibilidade, não certeza, o que torna a afirmação mais defensável.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que a rusticidade não compensa a carência proteica, mas a afirmativa é cuidadosa ao usar "podem ser compensados" e "acompanhados por procedimentos de saúde animal". A rusticidade é um fator real de adaptação, e o manejo sanitário é o complemento necessário. Não caia na armadilha de achar que a questão exige que a rusticidade resolva tudo sozinha.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre pecuária no semiárido, lembre-se: a carência nutricional é um problema real, mas a adaptação dos animais (rusticidade) e o manejo adequado (sanidade, suplementação) são as estratégias de mitigação. A banca costuma valorizar soluções sustentáveis que integram conhecimento tradicional e boas práticas.

Gabarito: letra C (CERTO).

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