Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
ce205572
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Gestão da Informação e Popularização do Conhecimento
Segundo o projeto MapBiomas, em duas décadas, mais que duplicou a transformação da vegetação natural, a caatinga, em agricultura convencional de sequeiro. Acerca do meio ambiente no semiárido brasileiro, ao desenvolvimento rural sustentável da região e às aplicações dos conhecimentos tradicionais dos povos do semiárido, julgue o item a seguir.Concentrados proteicos vindos de outros biomas, devido à falta de suprimento proteico na própria caatinga, são a única fonte de nutrientes possível para a obtenção de rendimentos elevados de carne e leite no manejo da caprinocultura e da ovinocultura no semiárido.
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EErrado
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GabaritoE — Errado
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Caprinovinocultura no semiárido: suprimento proteico e sustentabilidade
Gabarito: letra E — ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a caatinga, apesar das limitações hídricas, possui biodiversidade forrageira nativa — como cactáceas (palma forrageira), leguminosas e outras espécies adaptadas à seca — que fornece suprimento proteico para a caprinovinocultura, não sendo os concentrados de outros biomas a "única fonte" possível de nutrientes. Além disso, o desenvolvimento rural sustentável da região valoriza justamente o uso de recursos locais e conhecimentos tradicionais, em vez de depender exclusivamente de insumos externos.
A questão aborda a caprinovinocultura no semiárido brasileiro, atividade tradicional e de grande importância socioeconômica para a região. A caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, apresenta uma rica diversidade de plantas forrageiras nativas adaptadas às condições de seca, como a palma forrageira (Opuntia e Nopalea), o mandacaru, o xiquexique, o feijão-bravo, a maniçoba, entre outras. Essas espécies são utilizadas na alimentação dos rebanhos, especialmente nos períodos de estiagem, e constituem fonte de nutrientes, incluindo proteínas, para caprinos e ovinos.
A afirmativa peca ao afirmar que os concentrados proteicos de outros biomas são a "única fonte" de nutrientes para obtenção de rendimentos elevados. Isso contraria o conceito de desenvolvimento rural sustentável, que busca a utilização racional dos recursos locais, a conservação da biodiversidade e a valorização dos conhecimentos tradicionais. A dependência exclusiva de insumos externos, além de inviável economicamente para a maioria dos pequenos produtores, não é sustentável do ponto de vista ambiental e social.
A banca explora a ideia de que a caatinga seria um bioma pobre em recursos, o que é um equívoco. A caatinga possui grande biodiversidade e potencial forrageiro, sendo a base da pecuária extensiva na região. O manejo adequado, com uso de técnicas de conservação de forragem (como fenação e silagem) e a utilização de espécies nativas, permite a produção de carne e leite sem a necessidade de concentrados de outros biomas. Além disso, os conhecimentos tradicionais dos povos do semiárido, como o manejo da caatinga e a criação de caprinos e ovinos adaptados, são fundamentais para a sustentabilidade da atividade.
Caprinovinocultura no semiárido
1Suprimento proteico
Forrageiras nativas da caatinga
Cactáceas (palma, mandacaru)
Leguminosas (sabiá, mororó)
Dependência exclusiva de concentrados externos
2Desenvolvimento rural sustentável
Uso de recursos locais
Valorização de conhecimentos tradicionais
Conservação da biodiversidade
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada por três razões principais:
A caatinga possui suprimento proteico próprio: a vegetação nativa da caatinga inclui diversas espécies forrageiras com bom teor proteico, como leguminosas (ex.: sabiá, mororó) e cactáceas (palma forrageira), que são utilizadas na alimentação de caprinos e ovinos. Portanto, não é verdade que falta suprimento proteico na caatinga.
Não é a "única fonte" possível: existem alternativas locais e sustentáveis para a nutrição animal, como o uso de forragens nativas, bancos de proteína com leguminosas adaptadas, e a suplementação com subprodutos da agroindústria local. A dependência exclusiva de concentrados de outros biomas não é necessária nem sustentável.
Contraria o desenvolvimento rural sustentável: a afirmativa vai de encontro aos princípios de sustentabilidade, que preconizam a utilização de recursos locais, a redução de insumos externos e a valorização dos conhecimentos tradicionais. A caprinovinocultura no semiárido é historicamente baseada no uso da caatinga, e a sustentabilidade da atividade depende justamente da preservação e do manejo adequado desse bioma.
Portanto, a afirmativa é ERRADA, pois a caatinga oferece recursos forrageiros nativos que podem suprir as necessidades proteicas dos rebanhos, e a sustentabilidade da atividade não depende exclusivamente de concentrados de outros biomas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a caatinga é um bioma pobre, sem recursos para a pecuária, e que a única saída seria importar insumos de outros biomas. Isso é uma visão equivocada e contrária ao conceito de desenvolvimento sustentável. A caatinga possui grande biodiversidade e potencial forrageiro, e a caprinovinocultura é uma atividade tradicional e sustentável quando bem manejada. Fique atento: a palavra "única" é um forte indicativo de que a afirmativa pode estar errada, pois raramente algo é a única alternativa viável.