Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205681
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ✅ ERRADO (letra E). A afirmação de que cerca de um terço das espécies botânicas da caatinga participa da dieta de herbívoros domésticos por não possuírem espinhos e compostos antinutricionais é incorreta: a realidade é inversa — a vegetação da caatinga é marcada justamente pela presença de espinhos e por compostos antinutricionais, que limitam o consumo direto por esses animais. A questão trata da relação entre a flora da caatinga e a alimentação de animais domésticos locais, tema ligado à ecologia e à zootecnia.
A caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, caracterizado por clima semiárido, com chuvas escassas e irregulares. Sua vegetação, adaptada à seca, apresenta xeromorfismo — conjunto de adaptações morfológicas e fisiológicas à escassez de água —, que inclui folhas pequenas ou transformadas em espinhos, cutículas espessas, caules suculentos e raízes profundas. Essas características, somadas à produção de compostos secundários (como taninos e alcaloides), funcionam como defesas contra a herbivoria. Portanto, a presença de espinhos e de substâncias antinutricionais é uma regra, não uma exceção, na vegetação da caatinga.
Quando se fala em raças locais ou nativas de animais domésticos do semiárido — como caprinos, ovinos e bovinos adaptados —, sabe-se que esses animais desenvolveram, ao longo de gerações, estratégias de consumo seletivo e adaptações digestivas para lidar com a vegetação espinhosa e com os compostos tóxicos ou antinutricionais presentes nas plantas. Eles não consomem as plantas porque estas são desprovidas dessas barreiras; ao contrário, consomem-nas apesar delas, selecionando partes mais tenras, em determinadas épocas, e contando com mecanismos fisiológicos de detoxificação. A afirmação do enunciado, portanto, inverte a lógica adaptativa do bioma.
A banca explora aqui uma pegadinha clássica: apresentar como causa da utilização forrageira justamente o que é um obstáculo a ela. O candidato que conhece as características gerais da caatinga — espinhos, xeromorfismo, compostos secundários — percebe que a premissa está errada. Além disso, o percentual citado ("cerca de um terço") não corresponde a um dado consolidado e específico sobre a dieta dos herbívoros domésticos na região; a literatura aponta que muitas espécies da caatinga são utilizadas na alimentação animal, mas não com essa justificativa e nem com esse número exato.
A banca inverte a relação de causa e efeito: afirma que as plantas são consumidas por não terem espinhos e compostos antinutricionais, quando, na verdade, a caatinga é conhecida por ter vegetação espinhosa e com defesas químicas. O erro está em transformar a exceção em regra. Fique atento: em questões sobre biomas, desconfie de afirmações que contrariem as características marcantes do ecossistema.
Para questões sobre a caatinga, lembre-se sempre do xeromorfismo e das adaptações à seca: espinhos, cutículas espessas, folhas reduzidas, caules suculentos. Essas são as marcas registradas do bioma. Quando o enunciado falar de herbivoria, pense em como os animais lidam com essas defesas — seleção de partes, consumo sazonal, adaptações digestivas — e não na ausência delas.
Gabarito: ✅ ERRADO (letra E).
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