Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205692
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A genotipagem é uma ferramenta molecular que permite identificar variações no DNA, incluindo mutações de interesse zootécnico, como a do gene da miostatina (GDF8) em bovinos — associada à hipertrofia muscular (dupla musculatura) — e a do gene halotano (RYR1) em suínos — associada à sensibilidade ao estresse e à síndrome da hipertermia maligna. A afirmativa está correta ao citar essas duas aplicações clássicas da genotipagem no melhoramento animal.
A genotipagem é uma técnica de biologia molecular que determina a constituição genética de um indivíduo em locos específicos do genoma. No contexto do melhoramento animal, ela permite identificar portadores de alelos de interesse, seja para selecionar características desejáveis, seja para eliminar alelos deletérios. A detecção de mutações é uma das aplicações mais diretas: ao genotipar um animal, o melhorista pode saber se ele é homozigoto ou heterozigoto para uma determinada variante genética, sem depender da expressão fenotípica, que muitas vezes só se manifesta em condições específicas ou em idade avançada.
O gene da miostatina (GDF8) é um exemplo paradigmático. A miostatina é uma proteína que regula negativamente o crescimento muscular: ela inibe a proliferação e diferenciação de mioblastos. Mutações que inativam esse gene resultam em hipertrofia muscular, fenótipo conhecido como "dupla musculatura" em bovinos, especialmente em raças como a Belgian Blue e a Piedmontese. A genotipagem permite identificar animais portadores dessas mutações, possibilitando a seleção de reprodutores que transmitam a característica desejada. No entanto, é importante notar que a dupla musculatura pode estar associada a problemas de parto (distocia) e menor fertilidade, o que exige um equilíbrio na seleção.
O gene halotano (RYR1) em suínos é outro exemplo clássico. Esse gene codifica o receptor de rianodina, um canal de cálcio do retículo sarcoplasmático envolvido na contração muscular. Uma mutação pontual nesse gene torna os animais sensíveis ao estresse, podendo desencadear a síndrome da hipertermia maligna quando expostos a anestésicos halogenados ou a situações de estresse agudo. Essa condição leva a um aumento descontrolado do metabolismo muscular, hipertermia, rigidez muscular e morte súbita. Além disso, a carne desses animais tende a ser pálida, mole e exsudativa (PSE), o que prejudica a qualidade do produto. A genotipagem permite identificar os suínos portadores da mutação (alelo recessivo n), possibilitando a exclusão desses animais do plantel de reprodução e a seleção de animais resistentes ao estresse.
A distinção importante aqui é entre genotipagem e fenotipagem. A fenotipagem observa a característica expressa (ex.: conformação muscular, qualidade de carne), enquanto a genotipagem analisa diretamente o DNA, permitindo identificar portadores de alelos recessivos que não manifestam o fenótipo (heterozigotos). Essa é a grande vantagem da genotipagem no melhoramento: ela acelera o progresso genético ao permitir a seleção precoce e precisa, sem depender da manifestação fenotípica, que pode ser tardia, cara ou de difícil mensuração.
A pegadinha que a banca poderia explorar é a confusão entre os efeitos das mutações: a miostatina em bovinos está associada à hipertrofia muscular (característica desejável em alguns contextos), enquanto o halotano em suínos está associado à sensibilidade ao estresse (característica indesejável). No entanto, a afirmativa apenas menciona a detecção dessas mutações como aplicação da genotipagem, sem fazer juízo de valor sobre a característica, o que a torna correta. A banca também poderia tentar confundir o gene halotano com outras mutações em suínos, como as relacionadas à qualidade de carne (ex.: gene da calpastatina), mas a menção específica ao halotano é precisa.
Guarde a fronteira entre genotipagem (análise do DNA) e fenotipagem (observação da característica): é exatamente nela que a questão se apoia. A genotipagem detecta mutações diretamente no genoma, e os exemplos citados — miostatina em bovinos e halotano em suínos — são aplicações reais e consagradas no melhoramento animal.
A afirmativa está correta. A genotipagem é uma ferramenta molecular que permite a detecção de mutações genéticas, e os exemplos citados são precisos:
Gene da miostatina (GDF8) em bovinos: mutações que inativam esse gene resultam em hipertrofia muscular (dupla musculatura), característica de interesse em raças de corte. A genotipagem permite identificar animais portadores da mutação, sejam homozigotos ou heterozigotos, para orientar a seleção.
Gene halotano (RYR1) em suínos: a mutação nesse gene está associada à sensibilidade ao estresse e à síndrome da hipertermia maligna, além de prejudicar a qualidade da carne (PSE). A genotipagem permite identificar os portadores do alelo recessivo e excluí-los do plantel de reprodução.
Ambos são exemplos clássicos de aplicação da genotipagem no melhoramento animal, demonstrando a utilidade da ferramenta tanto para selecionar características desejáveis quanto para eliminar alelos deletérios. Não há erro na afirmativa.
Gabarito: CERTO
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