Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205698
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a edição genética com CRISPR-Cas9 permite tanto eliminar genes indesejáveis quanto inserir características específicas, como a resistência a doenças — essa é justamente uma das principais aplicações da ferramenta no melhoramento genético animal. A banca inverteu a capacidade da técnica, transformando uma possibilidade real em uma limitação inexistente.
A edição genética é um conjunto de técnicas de biologia molecular que permite modificar o DNA de um organismo de forma precisa e direcionada. O sistema CRISPR-Cas9, descoberto a partir de um mecanismo de defesa bacteriana, funciona como uma "tesoura molecular": uma sequência de RNA guia (sgRNA) direciona a enzima Cas9 para um local específico do genoma, onde ela realiza um corte na dupla fita do DNA. A partir desse corte, a célula ativa seus mecanismos de reparo, e é aí que entram as duas grandes possibilidades:
Reparo por NHEJ (non-homologous end joining): o corte é reparado de forma imprecisa, gerando pequenas inserções ou deleções (indels) que podem desativar (knockout) um gene indesejável — por exemplo, eliminar o gene da miostatina para aumentar a massa muscular em bovinos.
Reparo por HDR (homology-directed repair): na presença de um DNA molde (doador), a célula usa esse molde para reparar o corte, permitindo inserir (knock-in) ou substituir sequências específicas — por exemplo, introduzir um gene de resistência a uma doença viral em suínos ou bovinos.
Portanto, a técnica é bidirecional: ela tanto pode remover quanto adicionar material genético. No melhoramento animal, a inserção de características é uma das frentes mais promissoras, como a resistência à peste suína africana (editando o gene RELA em suínos) ou a resistência à mastite em bovinos. A afirmativa, ao afirmar que a técnica "não permite inserir características específicas", nega uma capacidade comprovada e amplamente documentada na literatura científica.
A pegadinha da banca está em apresentar uma meia-verdade: é verdade que o CRISPR-Cas9 pode eliminar genes, mas é falso que ele não possa inserir. O candidato que conhece apenas a função de "knockout" pode ser induzido a marcar como certo, mas a técnica é muito mais versátil. Além disso, a resistência a doenças é um dos exemplos clássicos de aplicação por inserção gênica, o que torna a afirmativa ainda mais claramente errada.
A banca explora a confusão entre as duas funções do CRISPR-Cas9: ela afirma que a técnica só "elimina" genes, quando na verdade ela também "insere" características. Lembre-se: knockout (eliminar) e knock-in (inserir) são as duas faces da mesma moeda — e a resistência a doenças é um exemplo típico de inserção.
A afirmativa está errada porque o CRISPR-Cas9 permite sim inserir características específicas, como a resistência a doenças. A técnica de edição gênica, por meio do reparo por recombinação homóloga (HDR), possibilita a introdução de sequências de DNA exógenas em pontos precisos do genoma. No melhoramento animal, isso é usado, por exemplo, para inserir genes de resistência a patógenos, melhorar a qualidade da carne ou aumentar a produtividade. A negação dessa capacidade é um erro conceitual grave.
Gabarito: ERRADO
Link permanente: /questoes/ce205698