Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205701
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A herança quantitativa é governada por múltiplos genes de efeito pequeno, e a ação gênica envolve, além da dominância, os efeitos aditivos — que são, na verdade, a principal fonte de variação — e os efeitos epistáticos (interações entre genes de loci diferentes). A afirmativa está incorreta ao afirmar que apenas a dominância atua e que os efeitos aditivos e epistáticos são ausentes.
A genética quantitativa estuda características controladas por muitos genes (poligênicas), como produção de leite, ganho de peso e altura. Diferentemente das características qualitativas (ex.: cor da pelagem), que seguem padrões mendelianos simples, as quantitativas apresentam variação contínua na população. O valor fenotípico de um indivíduo é o resultado da soma dos efeitos genéticos e ambientais: , onde (valor genotípico) pode ser decomposto em efeitos aditivos (), de dominância () e epistáticos ().
O efeito aditivo é a contribuição individual de cada alelo, somada ao longo de todos os loci. É o componente mais importante para o melhoramento genético, pois é o que responde à seleção: quando um animal é selecionado, os alelos favoráveis são transmitidos aos descendentes, e o progresso genético depende diretamente da variação aditiva. Por exemplo, se um touro tem alelos que aumentam a produção de leite em 2 litros por dia, esse efeito é aditivo e será transmitido à progênie.
O efeito de dominância ocorre quando a interação entre os alelos de um mesmo locus (ex.: ) produz um valor diferente da média dos homozigotos. Esse efeito é específico de cada combinação genotípica e não é transmitido de forma previsível aos descendentes, pois depende da combinação de alelos que cada filho recebe. Por isso, a dominância contribui para o valor genotípico do indivíduo, mas não para a resposta à seleção.
O efeito epistático surge da interação entre genes de loci diferentes (ex.: um gene que mascara ou modifica a expressão de outro). Assim como a dominância, a epistasia é um componente não aditivo da variação genética e não é transmitida de forma simples aos descendentes.
A afirmativa da questão está duplamente errada: primeiro, ao afirmar que a ação gênica advém apenas de efeitos de dominância, ignorando os efeitos aditivos (que são os mais importantes) e os epistáticos; segundo, ao afirmar que os efeitos aditivos e epistáticos são ausentes, quando na verdade eles estão sempre presentes na herança quantitativa. A banca explora a confusão entre os componentes da variação genética, tentando fazer o candidato acreditar que a dominância é o único mecanismo de ação gênica.
A banca inverte o papel dos componentes da variação genética: apresenta a dominância como o único efeito atuante, quando na verdade o efeito aditivo é o principal e mais importante na herança quantitativa. O candidato que lembra apenas que "dominância" existe na genética pode cair na armadilha, mas a genética quantitativa é dominada pelos efeitos aditivos — é isso que o melhoramento genético explora.
A afirmativa está errada porque a herança quantitativa envolve, além da dominância, os efeitos aditivos (que são a principal fonte de variação genética) e os efeitos epistáticos (interações entre loci). A ação gênica não se restringe à dominância, e os efeitos aditivos e epistáticos estão presentes e são fundamentais para a variação contínua observada. A decomposição do valor genotípico em mostra que todos os componentes coexistem, sendo o aditivo o mais relevante para o melhoramento.
Gabarito: letra E (Errado).
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