Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205707
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). O cálculo da frequência gênica em casos de dois fenótipos associados a três genótipos (dominância completa) não é feito "a partir dos heterozigotos dominantes" — ele é feito a partir da contagem direta dos alelos na população, somando os alelos presentes nos homozigotos e nos heterozigotos. A afirmação do enunciado está incorreta porque inverte o método: a frequência gênica é calculada pela proporção de cada alelo no total de alelos, e não pela frequência dos heterozigotos.
A frequência gênica (ou frequência alélica) é a proporção de um determinado alelo em relação ao total de alelos de um locus na população. Para um locus com dois alelos (A e a), a frequência do alelo A (p) é calculada como: p = (2 × nº de homozigotos AA + nº de heterozigotos Aa) / (2 × total de indivíduos). O mesmo raciocínio vale para o alelo a (q). Esse cálculo usa a contagem direta dos alelos, e não a frequência dos heterozigotos isoladamente. A frequência dos heterozigotos (2pq) é uma consequência do equilíbrio de Hardy-Weinberg, mas não é a base do cálculo da frequência gênica.
Quando há dois fenótipos associados a três genótipos, isso indica dominância completa (por exemplo, fenótipos "dominante" e "recessivo" para os genótipos AA, Aa e aa). Nesse caso, não é possível distinguir os homozigotos dominantes (AA) dos heterozigotos (Aa) apenas pelo fenótipo. Por isso, o cálculo da frequência gênica a partir de dados fenotípicos exige o uso do equilíbrio de Hardy-Weinberg: se a frequência do fenótipo recessivo (aa) é conhecida, q² = frequência de aa, então q = √(frequência de aa) e p = 1 − q. Esse método usa a frequência dos homozigotos recessivos, não dos heterozigotos dominantes.
A pegadinha da banca está em inverter o papel dos heterozigotos: o candidato pode pensar que, como os heterozigotos carregam o alelo dominante, eles seriam a base do cálculo. Mas o cálculo correto, quando se parte de fenótipos, usa os homozigotos recessivos (que são fenotipicamente identificáveis) para estimar q, e não os heterozigotos. Além disso, quando se tem a genotipagem completa (dados genotípicos), a frequência gênica é calculada pela contagem direta dos alelos, somando os alelos de todos os genótipos.
A banca troca o papel dos heterozigotos: afirma que o cálculo deve ser feito "a partir dos heterozigotos dominantes", quando na verdade o cálculo é feito a partir da contagem direta dos alelos (se há genotipagem) ou a partir dos homozigotos recessivos (se há apenas fenótipos). O heterozigoto entra no cálculo como portador de um alelo de cada tipo, mas não é a base do cálculo.
A afirmação está incorreta. O cálculo da frequência gênica não é feito "a partir dos heterozigotos dominantes". O método correto depende dos dados disponíveis:
Com dados genotípicos (genotipagem): conta-se diretamente os alelos. Para o alelo A: p = (2 × nº de AA + nº de Aa) / (2 × total de indivíduos). O heterozigoto contribui com um alelo A e um alelo a, mas a base do cálculo é a contagem de todos os alelos, não a frequência dos heterozigotos.
Com dados fenotípicos (apenas fenótipos): usa-se o equilíbrio de Hardy-Weinberg. Se o fenótipo recessivo (aa) tem frequência q², então q = √(frequência de aa) e p = 1 − q. Aqui, a base é a frequência dos homozigotos recessivos, não dos heterozigotos.
Portanto, a afirmação "deve ser feito a partir dos heterozigotos dominantes" é falsa. O correto é: a frequência gênica é calculada pela proporção de cada alelo na população, seja por contagem direta (genótipos) ou por estimativa via homozigotos recessivos (fenótipos).
Gabarito: letra E (Errado).
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