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Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025

VeterináriaGenética em Medicina Veterinária
Código
ce205711
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
Julgue s item que se segue, relativo às frequências gênica e genotípica.Por meio da identificação direta dos fenótipos, é possível determinar as frequências gênicas e averiguar o sistema de acasalamento da espécie, a variabilidade genética das populações, o tipo de ação gênica predominante no controle de caracteres, assim como superar a maior parte das limitações da análise fenotípica.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Frequências gênicas e genotípicas: identificação direta dos fenótipos

Gabarito: ❌ ERRADO. A identificação direta dos fenótipos permite estimar as frequências genotípicas e, a partir delas, as frequências gênicas, mas não é capaz de "superar a maior parte das limitações da análise fenotípica" — essa afirmação é exagerada e tecnicamente incorreta. A análise fenotípica tem limitações intrínsecas (dominância, penetrância incompleta, influência ambiental) que a simples contagem de fenótipos não resolve; para superá-las, são necessárias ferramentas como marcadores moleculares, análises de pedigree e estudos de progênie.

O item mistura conceitos válidos com uma conclusão inválida. Vamos separar o que é verdadeiro do que é falso. É verdade que, em populações com codominância (onde cada genótipo produz um fenótipo distinto), a contagem direta dos fenótipos permite calcular as frequências genotípicas e, por soma, as frequências gênicas. Por exemplo, em um locus com alelos A e B codominantes, os três fenótipos (AA, AB, BB) são distinguíveis, e a frequência de cada alelo é calculada diretamente: p = f(AA) + ½ f(AB) e q = f(BB) + ½ f(AB). Isso é a base do princípio de Hardy-Weinberg, que relaciona frequências gênicas e genotípicas em equilíbrio.

No entanto, a afirmação de que isso permite "averiguar o sistema de acasalamento da espécie" é problemática. O sistema de acasalamento (pan-mixia, endogamia, etc.) pode ser inferido a partir de desvios das proporções esperadas de Hardy-Weinberg, mas a identificação direta dos fenótipos, por si só, não determina o sistema de acasalamento — ela apenas fornece dados que, quando comparados com as expectativas teóricas, podem sugerir desvios. Além disso, a "variabilidade genética das populações" e o "tipo de ação gênica predominante" são aspectos que a análise fenotípica pode estimar, mas com limitações severas.

A grande falha do item está na última parte: "superar a maior parte das limitações da análise fenotípica". A análise fenotípica tem limitações fundamentais que a identificação direta dos fenótipos não supera:

  1. Dominância: quando um alelo é dominante, heterozigotos e homozigotos dominantes têm o mesmo fenótipo, impossibilitando a distinção direta e, portanto, o cálculo exato das frequências gênicas sem métodos adicionais (como cruzamentos-teste ou análise molecular).

  2. Penetrância e expressividade variáveis: nem todos os indivíduos com um dado genótipo expressam o fenótipo esperado, ou o expressam em graus diferentes, distorcendo as contagens.

  3. Influência ambiental: muitos caracteres são influenciados pelo ambiente, de modo que fenótipos semelhantes podem ter genótipos diferentes e vice-versa.

  4. Interação gênica (epistasia): a ação de um gene pode mascarar a expressão de outro, complicando a inferência genotípica a partir do fenótipo.

Para superar essas limitações, a genética moderna utiliza marcadores moleculares (DNA), que revelam o genótipo diretamente, independentemente do fenótipo. A identificação fenotípica, portanto, é uma ferramenta útil em casos específicos (codominância, caracteres de herança simples), mas está longe de "superar a maior parte das limitações" — na verdade, ela sofre dessas limitações.

A banca explora aqui a confusão entre o que a análise fenotípica pode fazer (estimar frequências em condições ideais) e o que ela não pode fazer (superar suas próprias limitações). O candidato que conhece o princípio de Hardy-Weinberg pode ser tentado a marcar "certo", pois a primeira parte do item é verdadeira; mas a última parte é uma generalização indevida que torna o item como um todo falso.

1Permite (em codominância)
Frequências genotípicas
Frequências gênicas (por soma)
2Limitações
Dominância (hetero = homo dominante)
Penetrância/expressividade variáveis
Influência ambiental
Epistasia (interação gênica)
3Superação
Marcadores moleculares (DNA)
Análise de pedigree
Estudos de progênie
Análise fenotípica
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Análise fenotípica: Permite (em codominância) (Frequências genotípicas, Frequências gênicas (por soma)); Limitações (Dominância (hetero = homo dominante), Penetrância/expressividade variáveis, Influência ambiental, Epistasia (interação gênica)); Superação (Marcadores moleculares (DNA), Análise de pedigree, Estudos de progênie)
NÃO CAIA NESSA!

A banca monta o item com uma primeira parte verdadeira (identificação direta dos fenótipos permite determinar frequências gênicas em casos de codominância) e uma conclusão exagerada ("superar a maior parte das limitações da análise fenotípica"). O candidato que conhece o princípio de Hardy-Weinberg pode ser tentado a marcar "certo", pois a primeira parte do item é verdadeira; mas a última parte é uma generalização indevida que torna o item como um todo falso. A pegadinha está em não perceber que a análise fenotípica sofre de limitações (dominância, penetrância, ambiente) e não as supera.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de genética de populações, desconfie de afirmações absolutas como "superar a maior parte das limitações". A análise fenotípica é limitada justamente por não distinguir genótipos em casos de dominância e por ser influenciada pelo ambiente. Para superar essas limitações, a genética moderna usa marcadores moleculares. Lembre-se: a identificação direta dos fenótipos só é suficiente para calcular frequências gênicas quando há codominância (todos os genótipos têm fenótipos distintos).

Gabarito: ❌ ERRADO.

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