Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205713
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). A mutação é, de fato, uma alteração no material genético que pode criar um novo alelo ou alterar um alelo existente, mas o erro está em afirmar que ela ocasiona características indesejáveis — as mutações são, na maioria das vezes, neutras ou deletérias, porém também podem ser benéficas, sendo a fonte primária da variabilidade genética sobre a qual atua a seleção natural. O conceito de mutação não carrega, em si, um juízo de valor sobre a característica resultante.
A mutação é a matéria-prima da evolução e do melhoramento genético. Sem ela, não haveria novos alelos e, portanto, não haveria variação sobre a qual a seleção natural ou artificial pudesse atuar. É um erro comum associar mutação apenas a algo negativo, como doenças ou deformidades, mas a genética de populações ensina que o efeito de uma mutação depende do ambiente e do contexto em que o alelo se expressa. Uma mutação que é deletéria em um ambiente pode ser vantajosa em outro — o exemplo clássico é a anemia falciforme em humanos, que confere resistência à malária em heterozigose, ou a mutação que causa a resistência de bactérias a antibióticos, claramente benéfica para o microrganismo.
Na prática, quando um criador busca melhorar seu rebanho, ele depende da existência de variabilidade genética, que é gerada por mutações. O melhoramento genético animal seleciona alelos favoráveis, mas a mutação que os originou não foi "planejada" para ser boa ou ruim — ela simplesmente ocorreu e, se conferiu vantagem adaptativa ou produtiva, foi selecionada. Portanto, a afirmação de que a mutação ocasiona "características indesejáveis" é uma generalização incorreta, pois ignora as mutações benéficas e neutras, que são fundamentais para a evolução e para o melhoramento.
A banca explora aqui a confusão entre o conceito biológico de mutação e a visão popular que a associa a algo sempre prejudicial. O candidato que conhece apenas o senso comum tende a marcar "certo", mas o conhecimento técnico de genética de populações exige reconhecer que a mutação é um processo aleatório, sem direção, e que seu efeito pode ser neutro, deletério ou benéfico. É exatamente essa neutralidade e aleatoriedade que a questão tenta distorcer ao afirmar que as mutações ocasionam características indesejáveis.
A banca troca o conceito de mutação pela visão popular de que ela é sempre algo ruim. Na genética de populações, a mutação é a fonte da variabilidade genética — pode ser neutra, deletéria ou benéfica, e é sobre ela que atua a seleção. Guarde: mutação não é sinônimo de característica indesejável; é sinônimo de variação.
A afirmação está incorreta porque generaliza o efeito das mutações como "características indesejáveis". Embora a definição de mutação como alteração no material genético que cria ou altera alelos esteja correta, o efeito não é necessariamente indesejável. Mutações podem ser:
Benéficas: conferem vantagem adaptativa ou produtiva (ex.: resistência a doenças, maior produção de leite).
Neutras: não alteram o fenótipo ou o alteram sem impacto na aptidão (ex.: mutações silenciosas).
Deletérias: reduzem a aptidão do indivíduo (ex.: doenças genéticas).
A genética de populações trata a mutação como um processo aleatório e contínuo, que gera a variabilidade necessária para a evolução e o melhoramento genético. Portanto, afirmar que as mutações ocasionam "características indesejáveis" é um erro conceitual grave, pois ignora as mutações benéficas e neutras.
Gabarito: letra E (Errado).
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