Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205716
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A afirmação está correta: uma mutação que ocorre em apenas um gene ou cromossomo de um único indivíduo tem efeito reduzido na frequência gênica da população, e são raros os casos em que confere vantagem seletiva significativa. Isso decorre dos princípios da genética de populações, em especial do equilíbrio de Hardy-Weinberg, que estabelece que, sem forças evolutivas atuando, as frequências alélicas permanecem constantes — e a mutação, isoladamente, é uma força evolutiva fraca.
A genética de populações estuda a composição genética de grupos de indivíduos e como ela muda ao longo do tempo. O conceito central é o de frequência gênica (ou frequência alélica): a proporção de um determinado alelo em relação ao total de alelos de um locus na população. Essa frequência é influenciada por cinco forças evolutivas principais: mutação, seleção natural, deriva genética, fluxo gênico (migração) e acasalamento não aleatório. A mutação é a fonte última de toda a variabilidade genética, mas, individualmente, cada evento mutacional tem impacto pequeno.
Para entender por que o efeito é reduzido, considere uma população com N indivíduos. Um alelo novo, surgido por mutação em um único indivíduo, representa uma fração mínima do pool gênico total. Por exemplo, em uma população de 1.000 indivíduos diploides, há 2.000 alelos para cada locus. Uma única mutação altera apenas 1 em 2.000 alelos, ou seja, 0,05% da frequência alélica. Esse valor é tão pequeno que, na prática, não altera o equilíbrio da população, a menos que a seleção natural atue fortemente sobre ele ou que a deriva genética o amplifique por acaso.
A razão pela qual a mutação tem efeito reduzido é dupla: primeiro, a taxa de mutação por gene por geração é baixa (tipicamente de 10⁻⁵ a 10⁻⁶); segundo, a maioria das mutações é neutra ou deletéria, e apenas uma pequena fração é benéfica. Mesmo quando uma mutação é vantajosa, seu efeito na frequência gênica é lento, pois ela precisa se espalhar pela população ao longo de muitas gerações, e isso depende da seleção natural e da deriva genética. Por isso, a mutação é considerada uma força evolutiva fraca quando comparada à seleção natural e à migração.
A distinção importante é entre mutação e seleção natural: a mutação cria variabilidade, mas é a seleção que determina quais alelos se fixam. Uma mutação vantajosa pode aumentar de frequência, mas isso leva tempo e depende do tamanho populacional e da pressão seletiva. Em populações pequenas, a deriva genética pode ter efeito maior que a mutação, pois o acaso pode eliminar ou fixar alelos rapidamente. Em populações grandes, a mutação é ainda menos eficaz, pois o efeito de um único alelo é diluído.
A pegadinha que a banca explora é a tentação de achar que qualquer mutação tem efeito imediato e significativo. O candidato pode confundir o papel da mutação como fonte de variabilidade (que é fundamental) com seu efeito imediato na frequência gênica (que é pequeno). A questão afirma exatamente isso: o efeito é reduzido e raros são os casos de vantagem seletiva significativa. Isso está correto, pois a maioria das mutações é neutra ou deletéria, e mesmo as benéficas têm efeito gradual.
Guarde a fronteira entre mutação como fonte de variabilidade e mutação como força evolutiva imediata: é exatamente nela que a questão se decide. A mutação é essencial para a evolução a longo prazo, mas seu efeito pontual na frequência gênica é mínimo.
A afirmação está correta por três razões fundamentais da genética de populações:
Efeito reduzido na frequência gênica: uma mutação em um único indivíduo altera uma fração mínima do pool gênico. Em uma população de 1.000 indivíduos diploides, há 2.000 alelos por locus; uma única mutação muda 1 em 2.000, ou 0,05%. Esse valor é desprezível para o equilíbrio de Hardy-Weinberg, que pressupõe ausência de mutação, seleção, deriva, migração e acasalamento aleatório. Como a mutação é rara e pontual, ela não desloca as frequências de forma perceptível.
Raridade de vantagem seletiva significativa: a maioria das mutações é neutra ou deletéria. Estima-se que apenas uma pequena fração das mutações seja benéfica, e mesmo essas raramente conferem uma vantagem seletiva grande. A seleção natural atua sobre a variabilidade existente, mas a probabilidade de uma mutação específica ser vantajosa e se fixar é baixa.
Força evolutiva fraca: comparada à seleção natural, à deriva genética e ao fluxo gênico, a mutação é a força evolutiva mais fraca. Sua taxa é baixa (10⁻⁵ a 10⁻⁶ por gene por geração), e seu efeito é lento. Para que uma mutação vantajosa aumente de frequência, são necessárias muitas gerações, e isso depende de outros fatores.
Para questões sobre genética de populações, lembre-se da regra dos cinco fatores que alteram as frequências alélicas: mutação, seleção natural, deriva genética, fluxo gênico e acasalamento não aleatório. A mutação é a fonte de variabilidade, mas seu efeito imediato é pequeno; a seleção é o direcionador da evolução. Se a alternativa disser que a mutação tem efeito grande e imediato, desconfie — é a pegadinha clássica.
Gabarito: letra C (CERTO).
Link permanente: /questoes/ce205716