Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205719
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (Errado). O cruzamento de raças exóticas selecionadas em clima temperado com raças localmente adaptadas não é o que permitiu a conservação das raças naturalizadas; ao contrário, esse tipo de cruzamento, quando feito de forma indiscriminada, representa uma ameaça à pureza genética dessas raças. A conservação das raças naturalizadas se dá por estratégias como a conservação in situ (on farm) e ex situ, que visam manter a variabilidade genética e as características adaptativas dessas populações.
O enunciado mistura dois conceitos distintos: a utilização de recursos genéticos exóticos para melhoramento (que pode envolver cruzamentos com raças locais) e a conservação das raças naturalizadas. A conservação, por definição, busca preservar a identidade genética e a adaptação das raças locais, o que é incompatível com a introdução maciça de genes exóticos via cruzamento. Historicamente, o que ameaçou as raças naturalizadas foi justamente a substituição por raças exóticas e os cruzamentos absorventes, que diluíram o patrimônio genético local. A conservação dessas raças, portanto, exige ações deliberadas de preservação, como núcleos de conservação, bancos de germoplasma e programas de melhoramento que valorizem as características adaptativas.
A banca explora a confusão entre "melhoramento por cruzamento" e "conservação". O cruzamento com raças exóticas pode ser uma ferramenta de melhoramento genético (para introduzir características de interesse), mas não é uma medida de conservação das raças naturalizadas. Pelo contrário, o cruzamento indiscriminado é um dos principais fatores de erosão genética dessas raças. A conservação on farm, por exemplo, consiste na manutenção das raças locais em seus próprios sistemas de produção, com manejo que preserve sua identidade genética.
Portanto, a afirmação está incorreta ao atribuir ao cruzamento com raças exóticas um papel que ele não desempenha na conservação das raças naturalizadas. A conservação exige a manutenção da pureza e da variabilidade genética das raças locais, o que é incompatível com a introdução de genes exóticos em larga escala.
A afirmação está errada porque inverte a relação entre cruzamento e conservação. O cruzamento de raças exóticas com raças naturalizadas, quando realizado sem critérios de conservação, promove a descaracterização genética das raças locais, não a sua conservação. A conservação das raças naturalizadas depende de estratégias como a conservação in situ (manutenção dos animais em seus habitats de origem) e ex situ (bancos de germoplasma, núcleos de conservação), que visam preservar a variabilidade genética e as adaptações locais. O cruzamento com raças exóticas pode até ser usado em programas de melhoramento, mas não como ferramenta de conservação — pelo contrário, é um dos principais fatores de erosão genética.
A banca troca o papel do cruzamento: apresenta-o como ferramenta de conservação, quando na verdade ele é uma ameaça à pureza das raças naturalizadas. O candidato que confunde "melhoramento por cruzamento" com "conservação" cai na armadilha. Lembre-se: conservar é preservar a identidade genética; cruzar com exóticos é introduzir genes novos, o que descaracteriza a raça local.
Gabarito: letra E (Errado).
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