Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205721
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A conservação on farm, também chamada de conservação in situ, consiste na manutenção de raças locais em seus próprios sistemas de produção, e nesse contexto é plenamente permitida — e até recomendada — a utilização de manejos reprodutivos e sanitários, desde que adequados à preservação da diversidade genética. A afirmativa está incorreta ao afirmar que tais manejos não são permitidos.
A conservação de recursos genéticos animais pode ser feita de duas formas principais: in situ (ou on farm) e ex situ. A conservação in situ ou on farm é aquela realizada no próprio ambiente de origem, ou seja, os animais são mantidos em sistemas de produção tradicionais, sob manejo dos criadores, com o objetivo de preservar raças localmente adaptadas. Nesse modelo, os manejos reprodutivos e sanitários são ferramentas essenciais: o manejo reprodutivo permite controlar acasalamentos, evitar endogamia excessiva e manter a variabilidade genética; o manejo sanitário garante a saúde do rebanho, prevenindo doenças que poderiam dizimar populações pequenas e geneticamente valiosas. Portanto, longe de serem proibidos, esses manejos são incentivados e fazem parte do próprio conceito de conservação on farm.
A confusão que a banca explora aqui é com a conservação ex situ, que envolve a manutenção de material genético fora do ambiente natural, como bancos de sêmen, embriões, óvulos ou até mesmo animais vivos em zoológicos ou centros de pesquisa. Nesse caso, os manejos reprodutivos e sanitários também são aplicados, mas de forma mais controlada e com objetivos específicos de preservação de material genético. No entanto, a afirmativa não se refere a essa modalidade, e mesmo nela os manejos não são proibidos.
Na prática, um programa de conservação on farm de uma raça de galinha caipira, por exemplo, envolve o criador realizando a seleção de reprodutores, o controle de cruzamentos, a vacinação do plantel e o tratamento de doenças — tudo isso é manejo reprodutivo e sanitário, e é exatamente o que se espera de um programa de conservação on farm. A proibição absoluta desses manejos seria inviável e contrária aos objetivos de conservação, pois sem eles a população animal não se mantém saudável nem geneticamente diversa.
A pegadinha está em inverter o conceito: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a conservação on farm é uma espécie de "preservação intocada", quando na verdade ela é uma conservação ativa, que depende do manejo contínuo dos animais. O que se busca preservar é a raça em seu ambiente, com suas características genéticas, e isso exige intervenção humana planejada.
Portanto, a afirmativa está errada. A conservação on farm permite, sim, a utilização de manejos reprodutivos e sanitários, sendo esses manejos parte integrante da estratégia de conservação.
A afirmativa diz que "na conservação on farm, não é permitida a utilização de manejos reprodutivos ou sanitários dos animais". Isso é falso. A conservação on farm, por definição, ocorre no sistema de produção, onde os animais são manejados rotineiramente. Os manejos reprodutivos (como controle de acasalamento, inseminação artificial, seleção de reprodutores) e sanitários (como vacinação, vermifugação, quarentena) são não apenas permitidos, mas necessários para manter a saúde e a variabilidade genética da população. Sem esses manejos, a conservação seria inviável. Portanto, o item está ERRADO.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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