Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205734
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A seleção genética se torna mais efetiva com maior variabilidade genética, não com a redução dela. A variabilidade é a matéria-prima da seleção: sem variação genética, não há diferenças entre os indivíduos para o melhorista explorar, e o ganho genético tende a zero. O enunciado inverte exatamente essa relação fundamental.
O melhoramento genético animal é o conjunto de técnicas e estratégias utilizadas para alterar a constituição genética de uma população de animais domésticos, com o objetivo de aumentar a frequência de alelos favoráveis para características de interesse econômico ou funcional (produção de leite, ganho de peso, resistência a doenças, fertilidade, etc.). A seleção é uma das principais ferramentas desse processo: consiste em escolher os indivíduos geneticamente superiores para serem os pais da próxima geração, de modo que seus alelos favoráveis se propaguem na população.
A eficácia da seleção depende diretamente da variabilidade genética existente na população. Essa variabilidade é medida, em termos quantitativos, pela variância genética aditiva (σ²a), que representa a parcela da variação fenotípica que é transmitida de pais para filhos. A resposta esperada à seleção (R) é calculada pela fórmula clássica do melhorista:
onde:
= intensidade de seleção (quanto mais rigorosa a seleção, maior o valor);
= herdabilidade (proporção da variação fenotípica devida a causas genéticas aditivas);
= desvio-padrão fenotípico (medida da variação total da característica).
Como , a resposta também pode ser expressa como . Ou seja, a resposta à seleção é diretamente proporcional à variância genética aditiva. Se a variabilidade genética é reduzida, o numerador da fração diminui e, consequentemente, o ganho genético por geração cai. Em uma população geneticamente uniforme (variabilidade zero), a seleção não produz nenhum progresso, pois todos os indivíduos são geneticamente idênticos para a característica em questão.
Um exemplo prático: imagine um rebanho bovino de corte onde o peso aos 18 meses varia de 300 a 500 kg. Essa variação permite ao criador selecionar os touros e vacas mais pesados para reprodução, esperando que a próxima geração seja, em média, mais pesada. Agora, se o rebanho for submetido a sucessivos acasalamentos entre parentes próximos (endogamia) por várias gerações, a variabilidade genética diminui drasticamente. Os animais se tornam cada vez mais semelhantes geneticamente, e a seleção perde eficácia: mesmo escolhendo os melhores, o ganho genético será pequeno ou nulo, porque há pouca variação para explorar. Além disso, a endogamia aumenta a homozigose, o que pode levar à depressão endogâmica — redução de desempenho em características como fertilidade, sobrevivência e resistência a doenças.
A pegadinha da banca está em inverter o senso comum: muitos candidatos podem pensar que, com menos variabilidade, a população fica "mais uniforme" e, portanto, "mais fácil de selecionar". Mas o melhoramento genético não busca uniformidade genética; busca explorar a variação existente para promover mudanças na média da população. A variabilidade é um recurso a ser preservado e gerenciado, não eliminado. Por isso, programas de melhoramento frequentemente utilizam estratégias para manter a variabilidade genética, como o controle da endogamia, a introdução de novos animais (genes) e o uso de esquemas de acasalamento que evitem a perda de alelos.
Guarde o conceito-chave: seleção eficaz exige variabilidade genética. Quanto maior a variância genética aditiva, maior o potencial de resposta à seleção. A redução da variabilidade é consequência de práticas como endogamia ou seleção intensa sem reposição de novos genes, e é um problema a ser evitado, não um objetivo do melhoramento.
A afirmação está errada porque inverte a relação entre seleção e variabilidade genética. A seleção genética se torna mais efetiva quando há maior variabilidade genética, pois é a variação entre os indivíduos que permite identificar e escolher os superiores. Com a redução da variabilidade, a resposta à seleção diminui, podendo até se anular em populações geneticamente uniformes. A fórmula da resposta à seleção () demonstra que o ganho genético é proporcional à variância genética aditiva; portanto, reduzir a variabilidade reduz o progresso genético.
A banca inverte o senso comum: o candidato pode pensar que "população uniforme = mais fácil de selecionar". Mas o melhoramento genético depende da variação — sem variabilidade, não há o que selecionar. Lembre-se: variabilidade é matéria-prima, não obstáculo.
Para questões de melhoramento genético, lembre-se da fórmula da resposta à seleção: . Se a questão falar em "redução da variabilidade", "endogamia", "população uniforme", o efeito sobre o ganho genético é negativo. Se falar em "aumento da variabilidade", "introdução de novos genes", o efeito é positivo.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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