Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205736
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ❌ ERRADO. A consanguinidade (acasalamento entre indivíduos aparentados) aumenta a homozigose e reduz a heterozigose do rebanho, exatamente o oposto do que afirma o item. Esse é um princípio fundamental da genética de populações, aplicado no melhoramento genético animal.
A consanguinidade é o acasalamento entre indivíduos que possuem um ou mais ancestrais em comum. O efeito genético imediato desse tipo de acasalamento é o aumento da probabilidade de que os alelos de um mesmo loco sejam idênticos por descendência (homozigose). Em outras palavras, os descendentes de cruzamentos consanguíneos tendem a ser mais homozigotos do que a média da população. Consequentemente, a heterozigose (presença de alelos diferentes em um mesmo loco) diminui.
Esse fenômeno é medido pelo coeficiente de endogamia (F), que expressa a probabilidade de dois alelos de um indivíduo serem idênticos por descendência. Quanto maior o parentesco entre os pais, maior o valor de F e maior o aumento da homozigose. Por exemplo, o acasalamento entre irmãos completos produz um coeficiente de endogamia de 25% na primeira geração, o que significa que, em média, 25% dos locos que eram heterozigotos nos pais tornam-se homozigotos nos filhos.
A razão pela qual a consanguinidade é utilizada no melhoramento genético é justamente para fixar características desejáveis — ao aumentar a homozigose, os alelos favoráveis (por exemplo, para produção de leite ou ganho de peso) tornam-se mais frequentes e a característica se estabiliza no rebanho. No entanto, a consanguinidade também aumenta a probabilidade de expressão de alelos recessivos deletérios, o que pode levar à chamada depressão endogâmica, com redução da fertilidade, da viabilidade e do desempenho produtivo. Por isso, o melhorista deve equilibrar o uso da consanguinidade com a introdução de novos genes (cruzamentos) para evitar os efeitos negativos.
A banca explora aqui uma inversão clássica: o candidato que não domina o conceito pode confundir os efeitos da consanguinidade com os da heterose (vigor híbrido), que é o fenômeno oposto — o cruzamento entre indivíduos não aparentados aumenta a heterozigose e, com isso, o desempenho. Guarde a relação: consanguinidade → homozigose ↑ / heterozigose ↓; cruzamento (exogamia) → heterozigose ↑ / homozigose ↓.
A afirmação de que a consanguinidade aumenta a heterozigose e reduz a homozigose está invertida. O efeito real é o contrário: a consanguinidade aumenta a homozigose (pois os alelos tendem a ser idênticos por descendência) e reduz a heterozigose. Esse é um princípio básico da genética de populações, e a banca trocou os termos para testar o conhecimento do candidato.
Para não errar, lembre-se do mnemônico: Consanguinidade = Concentra (homozigose); Exogamia = Expande (heterozigose). Na prova, sempre que aparecer "consanguinidade", associe imediatamente a aumento de homozigose e redução de heterozigose.
Gabarito: ❌ ERRADO
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