Questão de Veterinária — Genética em Medicina Veterinária — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205740
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Sistema de Produção Animal
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (Certo). O descarte orientado é, de fato, uma técnica de manejo que visa à renovação genética e à manutenção de um rebanho mais eficiente, contribuindo para a sustentabilidade da atividade pecuária. Essa prática consiste na eliminação seletiva de animais inferiores, com base em critérios zootécnicos e genéticos, permitindo que os melhores indivíduos permaneçam no rebanho e transmitam suas características superiores às próximas gerações.
O descarte orientado é um pilar fundamental do melhoramento genético animal. Diferentemente do descarte aleatório, que ocorre por fatores como idade avançada, problemas de saúde ou acidentes, o descarte orientado é planejado e baseado em avaliações objetivas. O produtor ou o técnico analisa indicadores de desempenho — como ganho de peso, produção de leite, eficiência reprodutiva, conformação, temperamento e resistência a doenças — e decide quais animais devem ser removidos do plantel. Essa decisão não é punitiva; é estratégica: ao remover os indivíduos que ficam abaixo da média do rebanho, abre-se espaço (físico, financeiro e genético) para a entrada de animais superiores, seja por compra, seja por reposição com animais nascidos na própria propriedade.
A lógica por trás dessa técnica é a intensificação da pressão de seleção. Quando se descarta seletivamente, aumenta-se a frequência dos alelos favoráveis na população, pois os animais que permanecem são justamente aqueles que carregam as características desejáveis. Com o passar das gerações, a média do rebanho se desloca para cima, tornando-o mais produtivo e eficiente. Isso é particularmente importante em sistemas de produção do semiárido brasileiro, onde a escassez de recursos — água, pasto e alimentos — exige animais adaptados e eficientes. Um rebanho geneticamente superior converte melhor os recursos disponíveis em produto (carne, leite, pele), o que reduz o impacto ambiental e aumenta a viabilidade econômica da atividade.
É importante distinguir o descarte orientado de outras práticas de manejo. A seleção é o processo de escolha dos animais que serão mantidos como reprodutores; o descarte é a remoção dos animais que não atendem aos critérios. Ambos caminham juntos: a seleção positiva (escolher os melhores para reproduzir) e o descarte negativo (remover os piores) são duas faces da mesma moeda. Já o descarte involuntário é aquele imposto por circunstâncias alheias à vontade do criador, como morte, doença grave ou acidente — e não contribui para o melhoramento genético, pois não é seletivo. O descarte orientado, por ser planejado, é uma ferramenta de gestão genética que maximiza o progresso genético e a sustentabilidade.
A pegadinha que a banca poderia explorar aqui seria inverter o conceito, afirmando que o descarte orientado é uma técnica que visa à redução da variabilidade genética ou que se baseia em critérios aleatórios. Mas o enunciado está correto ao associar o descarte orientado à renovação genética, à eficiência do rebanho e à sustentabilidade. A renovação genética ocorre porque a saída de animais inferiores é compensada pela entrada de animais superiores, mantendo o rebanho em constante evolução. A eficiência é consequência direta da melhoria da média genética. E a sustentabilidade é o resultado da combinação de ambos: um rebanho mais produtivo e adaptado exige menos insumos e gera mais retorno, tanto econômico quanto ambiental.
Guarde o critério decisivo: o descarte orientado é seletivo, planejado e baseado em critérios objetivos — é isso que o diferencia do descarte aleatório e o torna uma ferramenta de melhoramento genético. É exatamente essa característica que a assertiva descreve.
A afirmativa está correta. O descarte orientado é uma técnica de manejo que permite a renovação genética e a manutenção de um rebanho mais eficiente, contribuindo para a sustentabilidade da atividade pecuária. A renovação genética ocorre porque a remoção seletiva de animais inferiores abre espaço para a entrada de animais superiores, elevando a média genética do rebanho. A eficiência é consequência da melhoria da qualidade genética, que se traduz em maior produtividade e melhor conversão alimentar. E a sustentabilidade é o resultado da combinação de um rebanho mais produtivo com menor impacto ambiental, pois animais eficientes demandam menos recursos naturais. Não há qualquer erro conceitual na assertiva — ela descreve com precisão o papel do descarte orientado no melhoramento genético e na sustentabilidade da pecuária.
Gabarito: letra C (Certo).
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